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A Polícia Federal indiciou o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e outras 47 pessoas no primeiro relatório final da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos aplicados sobre aposentadorias e pensões. O documento, com 256 páginas, foi entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (14).

Segundo a investigação, Stefanutto teria recebido até R$ 250 mil por mês em propina para se omitir na fiscalização de associações suspeitas de subtrair dinheiro de aposentados e pensionistas por meio de descontos associativos ilegais em benefícios previdenciários.

Empresas de fachada

O relatório aponta que parte dos repasses destinados ao ex-presidente do órgão teria sido feita por meio de empresas de fachada — entre elas, uma pizzaria. Uma das entidades citadas como origem de pagamentos é a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), suspeita de operacionalizar descontos irregulares mediante fraudes em cadastros.

Além de Stefanutto, foram indiciados o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o lobista Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos operadores centrais do esquema.

A Operação Sem Desconto, deflagrada em 2025, revelou um esquema bilionário de descontos não autorizados em benefícios de milhões de segurados. O caso derrubou a cúpula do INSS e levou o governo a criar um programa de ressarcimento aos aposentados lesados. Os indiciados poderão responder por corrupção, organização criminosa e outros crimes, a depender da avaliação do Ministério Público.

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