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Governo demite indicados de parlamentares que votaram contra a MP do IOF; Lula avaliza ofensiva para reorganizar base aliada

Depois de uma derrota contundente na Câmara dos Deputados, o Palácio do Planalto iniciou uma série de retaliações a parlamentares que votaram contra a Medida Provisória do IOF. A resposta veio em forma de exonerações de indicados políticos em diversos ministérios e autarquias, atingindo diretamente a base de apoio do governo no Congresso Nacional.

Segundo articuladores do governo, as demissões têm caráter “cirúrgico” e fazem parte de uma estratégia para reestruturar a frágil e desarticulada base aliada do Executivo. A ordem partiu diretamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que avalizou a operação após a MP ser rejeitada em votação considerada simbólica da crise entre o Planalto e o Legislativo.

A Medida Provisória do IOF, que previa alterações no Imposto sobre Operações Financeiras, foi rejeitada por 241 deputados, contrariando os interesses do governo. Desde então, aliados dos parlamentares que votaram contra vêm sendo removidos de cargos comissionados, sobretudo em áreas controladas por partidos da base que não conseguiram entregar os votos prometidos.

Um dos poucos poupados da ofensiva foi o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Mesmo com seu histórico de votos contrários ao governo, nenhum de seus indicados foi demitido até agora — sinal de que o Planalto ainda tenta preservar pontes com figuras-chave do Congresso, apesar do desgaste.

A situação expõe a complexidade da aliança entre o governo Lula e o Centrão. Apesar das divergências constantes, o bloco ainda mantinha, até recentemente, ao menos 378 aliados em cargos estratégicos dentro do Executivo. A nova postura do Planalto indica um movimento de endurecimento e cobrança mais efetiva de lealdade em troca de espaços no governo.

A estratégia, no entanto, é arriscada. Exonerar indicados políticos pode aprofundar o racha com o Congresso e levar a novas derrotas legislativas. Mesmo assim, o governo parece decidido a redefinir os termos da coalizão, mostrando que a ocupação de cargos dependerá cada vez mais de alinhamento real com as pautas do Executivo.

Nos bastidores, líderes partidários avaliam que o gesto de Lula é um recado claro: o apoio ao governo não será mais simbólico, e a fidelidade será cobrada com cargos — ou sua perda.

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