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A megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, já contabiliza 117 mortos, segundo informações divulgadas pelas autoridades fluminenses. Até esta sexta-feira (31), 109 corpos foram identificados, sendo 11 deles de baianos. Entre os mortos, três são apontados como lideranças do Comando Vermelho (CV) na Bahia: Diogo Garcez Santos Silva (DG), Fábio Francisco Santana Sales (FB) e Danilo Ferreira do Amor Divino (Mazola).

De acordo com a Polícia Civil do Rio, 78 dos mortos tinham histórico criminal por crimes graves, como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa, e 42 estavam foragidos da Justiça. Além disso, 39 suspeitos eram de outros estados. Nenhum dos mortos havia sido denunciado pelo Ministério Público do Rio no processo que embasou a operação, nem havia mandado de prisão relacionado diretamente à ação, conforme revelou reportagem do jornal O Globo.

Autoridades da segurança pública falam sobre resultados de operação  por Tomaz Silva/Agência Brasil

Os corpos foram reconhecidos por familiares no Instituto Médico-Legal (IML) e estão sendo liberados para sepultamento. A ofensiva também resultou em 113 prisões, incluindo 33 pessoas de outros estados e 10 adolescentes; 54 dos presos já tinham passagens pela polícia.

Baianos mortos apontados como líderes do tráfico

Entre os 11 baianos mortos, três foram identificados como chefes regionais do Comando Vermelho na Bahia:

  • Diogo Garcez Santos Silva (DG) – atuava em Feira de Santana, com antecedentes por associação para o tráfico e porte ilegal de arma.

  • Fábio Francisco Santana Sales (FB) – natural de Alagoinhas, tinha passagem policial por ameaça.

  • Danilo Ferreira do Amor Divino (Mazola ou Dani) – nascido em Feira de Santana, foi apontado como chefe do tráfico de drogas na cidade e figura central do CV na Bahia.

Segundo o site JusBrasil, Mazola, de 38 anos, era citado em 20 processos na Bahia e um no Rio de Janeiro. DG, de 31 anos, tinha registros também em São Paulo, e FB, de 36 anos, aparecia em sete processos em território baiano.

O secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, afirmou que o número elevado de líderes regionais mortos está relacionado ao fato de os complexos da Penha e do Alemão funcionarem como um “quartel-general” da facção.

“As investigações e informações de inteligência mostram que, nesses complexos, são realizados treinamentos de tiro para criminosos que depois retornam aos seus estados de origem para expandir a atuação do grupo”, explicou Curi.

A operação

Com a participação de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, a operação tinha como objetivo desarticular o Comando Vermelho e cumprir cerca de 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão.

Os confrontos mais intensos ocorreram na Serra da Misericórdia, onde dezenas de corpos foram encontrados e posteriormente levados por moradores à Praça São Lucas, no Complexo da Penha, para facilitar a identificação.

O principal alvo da operação, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho em liberdade, conseguiu escapar. Segundo o secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, ele utilizou “soldados do tráfico” para abrir caminho durante o cerco policial. O Disque Denúncia oferece R$ 100 mil por informações que levem à sua captura.

De acordo com registros criminais, Doca nasceu em Caiçara, em 1970, e foi preso em 2007 por porte de arma e tráfico de drogas na Vila da Penha. Ele é considerado o maior líder do CV em liberdade, abaixo apenas de Marcinho VP e Fernandinho Beira-Mar, que cumprem pena em presídios federais.

Identificação e força-tarefa

Desde a terça-feira (28), peritos e agentes do IML do Centro do Rio realizam uma força-tarefa para identificar os corpos. A operação, uma das mais letais da história recente do país, reacendeu o debate sobre violência nas favelas, segurança pública e direitos humanos.

128 Mortos na Megaoperação do Policia do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho. Centenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro por Tomaz Silva /Agência Brasil

Com os resultados da ação, as autoridades afirmam que o núcleo do Comando Vermelho sofreu “um golpe severo”, mas organizações sociais e defensores públicos cobram transparência nas investigações e o cumprimento de protocolos legais durante as operações policiais em comunidades.

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