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A COP30 entrou em sua semana decisiva com um avanço considerado crucial pelos negociadores. Nesta segunda-feira, os países chegaram a consenso e fecharam um acordo para que os quatro pontos mais polêmicos da agenda — financiamento climático, metas mais ambiciosas de redução de emissões, medidas comerciais unilaterais e transparência nos relatórios — sejam discutidos em conjunto, dentro de um pacote único. A estratégia, proposta pela presidência brasileira da conferência, busca destravar temas que, tratados separadamente, vinham paralisando sucessivas rodadas de negociação.

“Recebemos de forma muito impressionante um apoio dos negociadores hoje para que a gente pudesse avançar nesse sentido”, afirmou o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30. A decisão foi vista como uma vitória parcial, mas significativa, para o processo climático multilateral.

O movimento animou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que decidiu retornar a Belém nesta quarta-feira para fortalecer as negociações. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, presente em diversos eventos da COP ao longo do dia, a presença de Lula “será extremamente positiva”. Fontes do Itamaraty confirmam que o presidente deve permanecer na cidade por menos de 24 horas.

Entre as prioridades de Lula está o chamado “roadmap para a eliminação dos combustíveis fósseis”, proposta adicional à agenda formal da convenção e que vem ganhando apoio internacional — já são 62 países aderindo ao texto em discussão.

Alckmin, por sua vez, teve atuação destacada nesta segunda-feira. Na abertura da sessão ministerial de alto nível, afirmou que a COP30 deve marcar o início de uma “década de aceleração” e ressaltou que a atualização das NDCs — compromissos de cada país para combater as mudanças climáticas — representa uma demonstração concreta do compromisso das nações com o multilateralismo. O vice-presidente reforçou que o Brasil reconhece “sua responsabilidade e seus desafios” no enfrentamento da crise climática.

Com a entrada em cena dos ministros e chefes de delegação — responsáveis por decisões finais —, a COP30 ganhou novo ritmo. O local das negociações amanheceu cercado por soldados do Exército, e medidas mais rigorosas de segurança foram adotadas para impedir a aproximação de manifestantes à Zona Azul, após episódios de protesto na primeira semana do encontro.

As próximas horas devem definir se o acordo para o pacote único será suficiente para destravar os avanços necessários antes do encerramento da conferência.

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