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A música brasileira perdeu um de seus nomes mais inventivos e inquietos. Morreu nesta segunda-feira, aos 82 anos, o cantor e compositor Jards Macalé, internado no Rio de Janeiro para tratar problemas pulmonares. A causa da morte foi choque séptico e insuficiência renal. Considerado um dos artistas mais originais de sua geração, Macalé atravessou décadas construindo uma trajetória marcada pela irreverência, pela experimentação e pela defesa intransigente da liberdade criativa.

O carioca iniciou sua carreira musical nos anos 1960, mas só lançou seu primeiro álbum em 1972 — o antológico Jards Macalé, em que mesclava, ao estilo da Tropicália, referências brasileiras e internacionais em composições ousadas e iconoclastas. Clássicos como Vapor Barato e Anjo Exterminado consolidaram sua imagem de artista à frente do tempo, muitas vezes em rota de colisão com padrões comerciais de gravadoras e emissoras de rádio.

A notícia da morte provocou forte emoção entre amigos e parceiros musicais. Caetano Veloso publicou que estava “chorando” ao saber da perda. Segundo ele, sem Macalé, não teria existido seu emblemático álbum Transa (1972). “Foi meu primeiro amigo carioca da música”, escreveu. Maria Bethânia também homenageou o artista: “Meu amor, meu amigo… Fará muita falta neste mundo”.

Figura central da contracultura brasileira, Jards Macalé deixa uma obra singular que atravessa gerações e segue influenciando músicos, intérpretes e admiradores da liberdade artística.

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