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A União Europeia avalia adotar medidas de retaliação econômica contra os Estados Unidos, incluindo a imposição de tarifas que podem chegar a € 93 bilhões, cerca de R$ 580 bilhões, ou até restrições diretas a empresas americanas que atuam no bloco. A movimentação é uma resposta às recentes ameaças do ex-presidente Donald Trump, que voltou a defender a anexação da Groenlândia e anunciou a possibilidade de impor tarifas de 10%, com elevação para até 25% a partir de junho, contra países europeus como Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.

Diante do agravamento do cenário, os 27 líderes da União Europeia se reuniram de forma emergencial no domingo, em Bruxelas, com o objetivo de alinhar uma resposta conjunta antes do encontro com Trump durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. A 56ª edição do evento começa hoje e reúne representantes de mais de 100 países, tendo como tema, em 2026, “o espírito de diálogo”.

Durante a reunião, os governos europeus discutiram o possível uso do chamado instrumento anticoerção, mecanismo que permitiria restringir o acesso de empresas americanas ao mercado europeu. A estratégia busca ampliar o poder de barganha do bloco sem provocar uma ruptura definitiva na aliança transatlântica, considerada estratégica em termos econômicos, políticos e de segurança.

Paralelamente às discussões comerciais, os países da União Europeia anunciaram o reforço da segurança no Ártico, com o envio de pequenos contingentes militares e maior coordenação no âmbito da Otan. A crise também gerou reação popular. No sábado, milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague para protestar contra a possibilidade de anexação do território, administrado pela Dinamarca como região semiautônoma.

O futuro da Groenlândia, a maior ilha do mundo, tem implicações globais relevantes. O avanço do aquecimento global acelera o derretimento das geleiras, abrindo novas rotas comerciais no Ártico e facilitando o acesso a minerais críticos, como grafite, zinco e terras raras, fundamentais para tecnologias de energia limpa. Além disso, a região desperta interesse por suas reservas de petróleo, o que ajuda a explicar o crescente apetite geopolítico de grandes potências pelo território.

Nesse contexto, a disputa em torno da Groenlândia ultrapassa a retórica política e se insere em um cenário mais amplo de competição econômica, energética e estratégica, com potenciais impactos para bilhões de pessoas em todo o mundo.

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