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CompartilheCompartilhe 0 Mais de três crianças e adolescentes morrem por mês em ambientes de trabalho no Brasil Um levantamento nacional revela um cenário alarmante e invisibilizado: mais de três crianças e adolescentes morrem por mês no Brasil vítimas de acidentes de trabalho. De 2007 até maio de 2025, foram registradas 415 mortes de menores de idade, sendo 22 delas de crianças com menos de 13 anos, faixa etária para a qual qualquer atividade laboral é ilegal. Além das mortes, os dados apontam que pelo menos 15 menores sofrem ferimentos todos os dias em tarefas perigosas e insalubres — atividades proibidas por lei para menores de 18 anos. Os acidentes ocorrem, principalmente, em áreas como agricultura, construção civil, serviços domésticos, comércio informal e reciclagem, onde há pouca ou nenhuma fiscalização. O Brasil possui legislação que proíbe o trabalho para menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14. A lista das piores formas de trabalho infantil, elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, classifica como inaceitáveis os serviços que envolvam risco físico, químico, biológico ou psicológico para crianças e adolescentes. Ainda assim, o descumprimento das normas é sistemático, especialmente em regiões de maior vulnerabilidade social. A combinação de pobreza, exclusão escolar e falta de políticas públicas eficazes expõe milhares de meninos e meninas a situações degradantes e letais. Especialistas alertam que o impacto do trabalho precoce vai muito além dos números: prejudica o desenvolvimento físico e mental, afasta da escola e perpetua o ciclo da pobreza. “É uma violação grave dos direitos humanos de crianças e adolescentes, que compromete o futuro do país”, afirma a procuradora do trabalho Luciana Coutinho. A redução dos índices de trabalho infantil foi uma meta assumida pelo Brasil em acordos internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, mas os dados mais recentes mostram estagnação e retrocesso. Diante desse cenário, organizações da sociedade civil e órgãos de fiscalização defendem o reforço urgente das políticas de proteção à infância, com maior presença do Estado em comunidades vulneráveis, ampliação da educação em tempo integral e penalização rigorosa de empregadores que exploram mão de obra infantil. A cada mês, o Brasil perde três vidas jovens para um problema antigo — e ainda amplamente ignorado.
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