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Em uma votação histórica, o Senado Federal rejeitou, por 42 votos a 34 e uma abstenção, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se da primeira recusa a um nome indicado para a Corte desde 1894, marcando a mais expressiva derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Legislativo ao longo de seus três mandatos.

A articulação que levou ao revés foi liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que trabalhou nos bastidores para consolidar apoio à rejeição. Segundo relatos, ele chegou a prever o placar com precisão dias antes da votação. Alcolumbre defendia a indicação de seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso e resistiu desde o início ao nome de Messias.

Além da derrota, o governo enfrenta agora um impasse institucional. Alcolumbre sinalizou à oposição que não pretende pautar uma nova indicação presidencial antes das eleições de outubro, o que, na prática, transfere ao próximo presidente da República a escolha para a vaga no STF. O próprio Lula indicou que deve aguardar, evitando novo desgaste político em meio ao cenário eleitoral.

A decisão do Senado tem potencial de impacto duradouro na composição da Corte. Caso haja mudança no comando do Executivo, o futuro presidente poderá nomear até quatro ministros, considerando aposentadorias previstas entre 2028 e 2030. Isso pode alterar significativamente o equilíbrio interno do STF, que já conta com dois ministros indicados pelo governo anterior.

Após a votação, Jorge Messias reagiu com sobriedade, afirmando que “o Senado é soberano” e que faz parte da vida pública lidar com vitórias e derrotas. O episódio, no entanto, gerou reações divergentes. Integrantes do governo classificaram o resultado como fruto de pressão política, enquanto líderes da oposição interpretaram a decisão como um recado institucional.

No Supremo, a rejeição foi recebida com surpresa e preocupação quanto a possíveis tensões entre os Poderes. O presidente da Corte ressaltou a importância do respeito institucional e do tratamento responsável das divergências.

Mais cedo, Messias havia sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), após sabatina em que buscou dialogar com diferentes espectros políticos, destacando posições conservadoras em temas como aborto e criticando o ativismo judicial, ao mesmo tempo em que reafirmou o caráter laico do Estado brasileiro.

Analistas avaliam que o episódio reflete uma combinação de fatores políticos. Para alguns, a derrota evidencia falhas de articulação do governo; para outros, está diretamente ligada às disputas eleitorais de 2026 e à correlação de forças no Congresso. Também houve críticas à escolha de Messias, com apontamentos de que outras indicações poderiam ter gerado maior consenso no Senado.

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