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Relatório aponta que uma em cada seis infecções bacterianas é resistente ao tratamento; uso excessivo e incorreto agrava crise de saúde pública

A resistência a antibióticos avançou de forma alarmante nos últimos anos, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta segunda-feira (14). O estudo aponta que, entre 2016 e 2023, cerca de 40% das amostras analisadas em mais de 100 países apresentaram crescimento na resistência a medicamentos essenciais para o tratamento de infecções bacterianas.

De acordo com a OMS, uma em cada seis infecções bacterianas confirmadas em laboratório já não responde adequadamente aos antibióticos disponíveis. O problema, classificado como uma ameaça crescente à saúde global, é diretamente responsável por mais de 1 milhão de mortes por ano e pode comprometer avanços médicos nas próximas décadas se não for contido.

A entidade aponta o uso indevido e excessivo desses medicamentos como um dos principais fatores que alimentam o problema. A prescrição inadequada, o consumo sem orientação médica e a automedicação são práticas comuns que aceleram o surgimento de bactérias resistentes — os chamados “superbugs”.

“O uso responsável de antibióticos é essencial para preservar sua eficácia. Estamos diante de uma crise silenciosa, mas devastadora, que pode nos levar de volta a um tempo em que infecções simples eram fatais”, alertou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A resistência antimicrobiana compromete tratamentos não só de doenças comuns, como pneumonia e infecções urinárias, mas também procedimentos médicos complexos, como cirurgias e quimioterapia, que dependem da eficácia de antibióticos para prevenir infecções hospitalares.

A OMS recomenda medidas urgentes, como o fortalecimento da vigilância, campanhas educativas sobre uso racional de antibióticos, e incentivos à pesquisa de novos medicamentos. Segundo a entidade, poucos antibióticos inovadores têm sido desenvolvidos nos últimos anos, enquanto o número de bactérias resistentes continua a crescer.

O relatório reforça que enfrentar a resistência antimicrobiana exige ação coordenada entre governos, sistemas de saúde, indústria farmacêutica e a sociedade civil. Sem essa mobilização, o mundo pode enfrentar uma era pós-antibióticos, na qual infecções hoje tratáveis voltariam a matar milhões.

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