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Megaoperação contra o Comando Vermelho resulta em 64 mortes e paralisa o Rio de Janeiro

Nem o Rio de Janeiro, acostumado à violência cotidiana que há décadas faz lembrar uma guerra urbana, ficou indiferente ao impacto da operação policial realizada nesta terça-feira (29) contra o Comando Vermelho (CV). A ação, que mobilizou 2.500 agentes das forças de segurança, é considerada a mais letal da história do estado, deixando 64 mortos, 80 presos e pelo menos 18 pessoas baleadas, entre elas 15 policiais e três moradores.

Os feridos estão sendo encaminhados ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, Zona Norte do Rio. — Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Segundo as autoridades, a Operação Contenção foi resultado de um ano de investigações, conduzidas em parceria com o Ministério Público, e tinha como objetivo cumprir mandados de busca e apreensão para desarticular lideranças do CV nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte da capital fluminense.

Durante os confrontos, criminosos utilizaram drones para atacar os agentes com granadas, uma tática inédita no Rio, que intensificou os combates e ampliou o clima de pânico. As forças policiais também empregaram 32 blindados terrestres, 12 veículos de demolição e apoio aéreo com ambulâncias do grupamento de Salvamento e Resgate, em uma operação que, segundo analistas, se assemelhou a uma ação de guerra civil.

Por causa da operação, 45 unidades de educação municipais fecharam as portas— Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

O balanço parcial aponta ainda a apreensão de 96 fuzis, elevando para 686 o total de armas desse tipo retiradas de circulação em 2025 — um recorde histórico no estado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Apenas até setembro, o ISP já havia registrado 593 fuzis apreendidos, o maior número desde o início da série histórica, em 2007.

A reação do crime organizado causou caos em toda a cidade. Mais de 100 linhas de ônibus tiveram os itinerários alterados, vias expressas foram interditadas e aulas suspensas em diversas escolas da Zona Norte.

De acordo com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF), a operação supera em letalidade a ação no Jacarezinho, em maio de 2021, quando 28 pessoas morreram. As comunidades da Penha e do Alemão estão entre as mais atingidas por ações policiais fatais. Em 2022, operações deixaram 23 mortos na Penha e 17 no Alemão, enquanto em 2007 uma incursão semelhante resultou em 19 óbitos.

Especialistas apontam que a escalada da violência e a estratégia de confronto direto reabrem o debate sobre o modelo de segurança pública no Rio de Janeiro, marcado por operações de alto custo humano e poucos resultados duradouros no combate ao tráfico de drogas.

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