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Boulos assume ministério de Lula, mas PSOL ainda cogita candidatura ao Senado em 2026

Recém-nomeado para a Secretaria-Geral da Presidência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) poderá não permanecer muito tempo no cargo. Apesar da nomeação estratégica, o PSOL ainda considera sua candidatura nas eleições de 2026, principalmente para uma vaga no Senado Federal. O prazo máximo para Boulos deixar o governo, caso decida disputar o pleito, é abril do ano que vem.

Segundo aliados, a permanência no Executivo ainda está em aberto. Para a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, o novo ministro continua sendo um dos quadros mais fortes da esquerda no país.

“Pela liderança política que exerce, Boulos seria um excelente nome para a disputa eleitoral do ano que vem, em especial para o Senado”, afirmou.


O cálculo político de Lula: mobilizar a base e pressionar o Congresso

A escolha de Boulos por Lula tem motivação estratégica. Além de ser o deputado federal mais votado em São Paulo em 2022, superando nomes bolsonaristas como Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, Boulos traz ao governo uma capacidade singular de diálogo com movimentos sociais e com o “novo trabalhador” — categorias como motoboys, entregadores e autônomos que fogem do perfil tradicional da base do PT.

Na prática, o presidente o coloca no governo para articular com as ruas, pressionar o Congresso Nacional e reaproximar a esquerda da periferia urbana, num momento em que o lulismo busca se reinventar diante das transformações no mundo do trabalho e da comunicação política.

Mas a aposta não é isenta de riscos:

  • Boulos fora das urnas pode significar menos votos e menos cadeiras para a esquerda em 2026;

  • Sua presença no Executivo pode se chocar com a postura mais institucional e moderada do governo em determinadas pautas;

  • E o PSOL, ainda dividido, corre o risco de perder protagonismo eleitoral se seu principal nome estiver fora da disputa.


Trunfo eleitoral ou articulador político?

A entrada de Boulos no governo acirra o debate entre usar quadros fortes na administração federal ou preservá-los para a disputa eleitoral. A esquerda precisa aumentar sua bancada no Congresso, e o PSOL, em especial, precisa manter sua relevância em meio ao crescimento de outros partidos do campo progressista, como o PT e a Rede.

Com a nomeação, Lula resolve um problema imediato — fortalece sua base social e sinaliza para setores que ainda veem o governo distante da luta concreta por moradia, renda e justiça social. Por outro lado, pode estar sacrificando um nome essencial para a disputa em São Paulo, estado onde a esquerda ainda enfrenta resistência no Senado.

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