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O medo da violência levou 72% dos brasileiros a mudarem a rotina de alguma forma, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo. A principal alteração ocorreu no uso do celular, com 56% dos entrevistados afirmando que deixaram de utilizar o aparelho nas ruas nos últimos 12 meses, numa tentativa de reduzir o risco de assaltos. Outros 31% relataram que passaram a retirar alianças, correntinhas e adereços, enquanto 27% disseram ter deixado de realizar atividades prazerosas por receio da criminalidade.

A sensação de insegurança também impactou deslocamentos e hábitos cotidianos. De acordo com o levantamento, 36% dos brasileiros afirmam ter mudado o caminho para o trabalho ou para o local de estudo, e 26% dizem que passaram a sair menos de casa, evidenciando como o medo vem moldando o comportamento da população nas grandes cidades e também em áreas periféricas.

O cenário interno reflete um contexto mais amplo de violência. O Brasil aparece na sétima colocação entre os dez países com violência mais severa do mundo em 2025, segundo o Índice de Conflitos elaborado pela ONG Acled. O ranking avalia conflitos em todos os territórios do planeta com base em critérios como letalidade, risco para civis, dispersão geográfica da violência e fragmentação de grupos armados.

Segundo a Acled, o Brasil é classificado como país em nível extremo de violência, especialmente devido aos indicadores relacionados à atuação fragmentada de gangues e organizações criminosas, além do elevado risco imposto à população civil. No topo da lista, a Palestina foi considerada o local mais perigoso do mundo, seguida por Mianmar e Síria.

Ao comentar o tema, a jornalista Mariliz Pereira Jorge destacou que a violência também deve ser enfrentada sob uma perspectiva social e de gênero. “Todo mundo quer a mesma coisa: menos homens chegando ao ponto de descumprir medida protetiva, perseguir e matar. E isso passa por enfrentar a crise da masculinidade como parte da agenda de proteção às mulheres”, afirmou.

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