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Em discurso de abertura da Cúpula dos Líderes, que antecede a COP30, em Belém (PA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (6) a criação de um plano global para pôr fim ao uso de combustíveis fósseis. O presidente afirmou que acelerar a transição energética e proteger a natureza são medidas indispensáveis para conter o aquecimento do planeta e criticou a falta de responsabilidade dos países ricos diante da crise climática.

“A mudança do clima é resultado das mesmas dinâmicas que, ao longo de séculos, fraturaram nossas sociedades entre ricos e pobres e cindiram o mundo entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Será impossível contê-la sem superar as desigualdades dentro das nações e entre elas”, afirmou Lula.

O tom do discurso contrasta com a autorização do governo brasileiro, em outubro, para a exploração de petróleo na Margem Equatorial, na Foz do Amazonas, decisão que gerou críticas de ambientalistas e tensionou a imagem do país às vésperas da conferência.

O presidente também direcionou críticas à Organização das Nações Unidas (ONU), dizendo que “o regime climático não está imune à lógica de soma zero que prevalece na ordem internacional”, e reafirmou seu compromisso com uma “COP da verdade”, voltada a resultados concretos.


Fundo de Florestas Tropicais para Sempre

Durante um almoço com chefes de Estado, Lula lançou oficialmente o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Fund – TFFF), iniciativa que representa a principal aposta do governo brasileiro na COP. O mecanismo será hospedado pelo Banco Mundial e tem como objetivo remunerar países e comunidades que preservam florestas tropicais, com base em um modelo de investimentos de capital misto.

“As florestas valem mais em pé do que derrubadas”, declarou o presidente ao apresentar o fundo.

Diferente dos modelos baseados em doações, o TFFF funcionará como um fundo de investimento, com aportes de governos e investidores privados aplicados em ações e títulos. Os lucros — com retorno estimado de até 8% — serão repartidos entre investidores e países participantes. Vinte por cento dos recursos serão destinados diretamente a povos indígenas e comunidades locais, com pagamentos equivalentes a US$ 4 por hectare preservado.

Até o momento, o fundo soma US$ 5,5 bilhões em promessas, com contribuições da Noruega (US$ 2,9 bi), França, Indonésia, Brasil (US$ 1 bi) e Portugal (1 milhão de euros). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que metade da meta inicial de US$ 10 bilhões já foi atingida e que o governo pretende alcançar US$ 125 bilhões (R$ 668 bi) em longo prazo.

Mais de 50 países manifestaram apoio à proposta, embora poucos tenham anunciado aportes oficiais até o momento.


Desafios logísticos e segurança em Belém

Apesar do clima de otimismo, a estrutura da COP30 ainda enfrentava ajustes nesta quinta-feira. O pavilhão principal do evento estava em obras, com falhas de internet, problemas no sistema de ar condicionado e falta de água nos banheiros. Segundo o secretário extraordinário da Casa Civil para a COP30, Valter Correia da Silva, os testes finais ocorrem à medida que os visitantes começam a chegar.

Correia também confirmou que 28 países ainda negociam acomodações em Belém, enquanto 160 nações já garantiram hospedagem. Para ampliar a capacidade de acolhimento, o governo contratou dois navios de cruzeiro vindos da Itália, com 6 mil dormitórios, dos quais 1.700 já foram reservados.

No campo da segurança, a Polícia Federal informou ter abatido 31 drones irregulares nas áreas restritas da conferência. Ao todo, 316 voos não autorizados foram detectados sobre locais de interesse da presidência e do evento, incluindo o Aeroporto Internacional de Belém, o Parque da Cidade e os portos de Miramar e Outeiro.


Alerta climático global

Às vésperas da conferência, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou um relatório indicando que 2025 deve ser o segundo ou terceiro ano mais quente da história. O documento mostra que as concentrações de gases do efeito estufa e o calor nos oceanos atingiram níveis recordes.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que, embora seja “praticamente impossível limitar o aquecimento global a 1,5 °C nos próximos anos”, ainda é “totalmente possível e essencial reduzir as temperaturas para 1,5 °C até o fim do século”.

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