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A COP30, que se encerra hoje em Belém, teve a quinta-feira marcada por um episódio inesperado: um incêndio na Blue Zone, área central das negociações climáticas e onde se concentram as instalações da maioria dos países participantes. O fogo começou por volta das 14h, no estande brasileiro, e rapidamente gerou correria entre delegações e equipes técnicas. As equipes internas de segurança não conseguiram conter as chamas, sendo necessário acionar o Corpo de Bombeiros. Apesar do susto, não houve feridos, embora algumas pessoas tenham recebido atendimento médico por inalação de fumaça. Segundo os bombeiros, a causa mais provável é a falha em um forno de micro-ondas.

A tentativa do ministro do Turismo, Celso Sabino, de minimizar o ocorrido — afirmando que as chamas foram controladas rapidamente e que “poderia ter acontecido em qualquer lugar do mundo” — esbarrou em alertas recentes feitos pela ONU. Desde a semana passada, a organização havia identificado riscos na rede elétrica do evento devido a infiltrações de água que atingiam luminárias após fortes chuvas, frequentes na capital paraense. Em carta enviada aos organizadores, cobrou “reparos urgentes”. O governo brasileiro respondeu dizendo que se tratavam apenas de “ocorrências localizadas, como goteiras”.

Além do fogo, outro foco de tensão marcou os bastidores da cúpula. Mesmo com o empenho direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o chamado “mapa dos fósseis” — que prevê o compromisso explícito de abandonar combustíveis fósseis — deve ficar fora do documento final da conferência. Em consultas informais, China, Índia, Arábia Saudita e Nigéria rejeitaram a inclusão do termo, travando o consenso necessário para avançar na descarbonização global.

O episódio do incêndio e o impasse diplomático reforçam o desafio de sediar uma conferência climática de grande porte em um cenário de pressões políticas, tensões técnicas e necessidade urgente de resultados concretos.

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