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CompartilheCompartilhe 0 O Brasil caminha para um marco inédito em sua matriz energética: pela primeira vez, fontes renováveis como a solar, a eólica e a biomassa devem superar a participação das tradicionais hidrelétricas na capacidade instalada de geração de energia. A projeção é do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que prevê que essas fontes alcançarão 51% da matriz energética nacional até 2029 — um salto expressivo em relação aos 44,4% atuais. No mesmo período, a fatia das hidrelétricas deve cair de 45,9% para 41,5%. O avanço é impulsionado por investimentos robustos no setor energético. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), os aportes projetados até o fim da década somam R$ 255 bilhões. Esse montante tem financiado a expansão de usinas solares e parques eólicos, principalmente no Nordeste, região que tem se destacado na produção de energia limpa. Apesar do otimismo com os dados, o crescimento acelerado das fontes renováveis também revela desafios estruturais e sociais importantes. O sistema de transmissão do país, pensado historicamente para o modelo hidrelétrico, ainda não está totalmente adaptado para absorver o volume crescente de energia descentralizada e intermitente, característica das novas fontes. Além disso, há questões regulatórias e de impacto socioambiental a serem enfrentadas. Especialistas apontam a necessidade de normas mais claras para evitar conflitos com comunidades locais e garantir que os benefícios da transição energética sejam distribuídos de forma justa. Em alguns estados nordestinos, por exemplo, projetos de energia eólica têm gerado disputas por terras e preocupações com a preservação ambiental e cultural. O avanço das fontes renováveis representa um passo estratégico para o Brasil em direção a uma matriz mais limpa, diversificada e resiliente, especialmente frente às mudanças climáticas e à volatilidade dos combustíveis fósseis. No entanto, especialistas reforçam que planejamento integrado e inclusão social serão cruciais para que a transição energética ocorra de maneira sustentável e equilibrada.
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