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CompartilheCompartilhe 0 O depoimento da influenciadora digital Virgínia Fonseca na CPI das Apostas Esportivas, no Senado, nesta terça-feira (14), gerou constrangimento, críticas e até um momento de inusitada informalidade. Convocada para explicar a divulgação de sites de apostas em suas redes sociais, Virgínia enfrentou uma mistura de elogios e repreensões durante a sessão, que evidenciou o tratamento desigual dado ao tema no ambiente político. O momento mais controverso ocorreu quando o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) pediu para tirar uma selfie com a influenciadora durante a sessão da CPI — e foi prontamente atendido por Virgínia. A atitude gerou reação imediata do presidente da comissão, Dr. Hiran (PP-RR), que criticou o colega por transformar a audiência em um espetáculo. “Aqui não é um circo”, advertiu, num tom severo. Durante seu depoimento, Virgínia afirmou que sempre segue as diretrizes do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e destaca em suas publicações que os sites de apostas são destinados exclusivamente a maiores de 18 anos. “Eu sigo as regras. A responsabilidade é de quem joga, não de quem divulga”, afirmou a influenciadora, que possui dezenas de milhões de seguidores nas redes sociais. A sessão expôs o desequilíbrio entre o avanço da publicidade de apostas esportivas e a lentidão do poder público em estabelecer regras claras. Apesar da regulamentação aprovada recentemente, faltam diretrizes específicas para influenciadores e campanhas digitais, enquanto celebridades como Galvão Bueno, Casimiro, Vini Jr. e a própria Virgínia seguem promovendo plataformas de apostas com grande alcance. Enquanto isso, membros do governo admitem, nos bastidores, que o Ministério da Fazenda ainda está elaborando — há quatro meses — uma política pública voltada à proteção de jogadores e à responsabilização das empresas do setor. O vácuo regulatório deixa espaço para excessos e para uma cultura de banalização da aposta. O episódio reforçou um sentimento cada vez mais presente entre observadores da cena política: o Brasil mergulhou em um mercado bilionário sem o devido preparo institucional. A CPI das Bets, que deveria investigar irregularidades e estabelecer parâmetros éticos, corre o risco de virar palco de celebridades e jogos de cena, enquanto a responsabilidade maior segue recaindo sobre o cidadão comum — o jogador, o apostador.
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