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A surpreendente “química” entre Donald Trump e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva continua a gerar repercussões em Washington. Durante um encontro com o presidente da Argentina, Javier Milei, nesta semana, Trump voltou a elogiar Lula, mesmo estando ao lado de um dos seus mais ferrenhos adversários políticos na América do Sul.

O ex-presidente dos EUA relembrou a conversa privada que teve com Lula nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, classificando o diálogo como “bom” e produtivo. A fala de Trump ocorre às vésperas de uma reunião diplomática de alto nível entre Brasil e Estados Unidos, na qual o governo brasileiro tentará negociar o tarifaço imposto por Washington a produtos nacionais e as sanções aplicadas a autoridades brasileiras por razões políticas.

O encontro entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, está previsto para esta quinta-feira (17). Vieira, que esteve com Lula na visita ao papa Leão XIV, em Roma, seguiu diretamente para os EUA, sem retornar ao Brasil.

Enquanto isso, Javier Milei viajou a Washington para agradecer o pacote de ajuda de US$ 20 bilhões concedido pelos EUA, em meio à grave crise cambial que ameaça deixar a Argentina sem reservas internacionais suficientes para honrar compromissos imediatos.

Apesar do tom amistoso no início da reunião, Trump impôs condições claras ao apoio financeiro:

“Se ele [Milei] perder, não seremos generosos com a Argentina. Nossos acordos dependem de quem vencer a eleição”, afirmou Trump, ao comentar a possibilidade de um futuro acordo de livre comércio entre os dois países.

A declaração gerou desconforto na comitiva argentina e evidenciou a volatilidade das relações externas dos EUA com governos latino-americanos, especialmente sob a gestão republicana.

Analistas observam que o gesto de Trump ao elogiar Lula — mesmo diante de Milei — é um movimento estratégico que pode sinalizar abertura a negociações com o Brasil, mas também gera confusão no tabuleiro geopolítico da região.

O desenrolar da agenda diplomática entre Brasil e Estados Unidos nos próximos dias será determinante para saber se a retórica amistosa se traduzirá em avanços concretos nas relações bilaterais, ou se a tensão comercial continuará a escalar.

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