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O mapa ideológico dos governos estaduais tende a pender ainda mais para a centro-direita a partir de abril, quando, no dia 4, governadores que pretendem disputar outros cargos nas eleições de outubro terão de se desincompatibilizar, abrindo espaço para a ascensão dos vices, alguns deles já de olho na continuidade no poder por meio do voto.

Com as mudanças, o Progressistas (PP) deve ampliar sua presença de dois para quatro governos estaduais, com a posse dos vices na Paraíba e no Distrito Federal. Movimento semelhante ocorre com o Republicanos, que passará a comandar Mato Grosso e Roraima. Já o MDB será o partido mais beneficiado nesse rearranjo, saltando de dois para cinco governadores, com a chegada ao comando dos estados de Goiás, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.

Em dois estados, no entanto, o cenário será diferente. No Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte, está prevista a realização de eleição indireta para a escolha de um governador tampão. No caso potiguar, o vice-governador Walter Alves (MDB) também deixará o cargo para disputar o governo estadual. Já no Rio de Janeiro, o impasse ocorre porque não há vice para substituir Cláudio Castro (PL), uma vez que o então vice, Thiago Pampolha, renunciou ao cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Paralelamente a esse movimento institucional, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, avança sobre quadros do União Brasil e do bolsonarismo, redesenhando alianças regionais. Após filiar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, Kassab anunciou a entrada no PSD do governador de Rondônia, Marcos Rocha, desestabilizando mais um cenário político local. Rocha, que inicialmente era cotado para apoiar uma eventual candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que seguirá o nome escolhido pelo PSD, legenda que também abriga os governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), ambos colocados no radar presidencial.

Do lado do governo federal, com a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já consolidada, a atenção se volta para a disputa pelo Senado. A estratégia do Planalto é conter o avanço bolsonarista e evitar a formação de uma maioria conservadora na Casa, cenário que poderia dificultar um eventual quarto mandato de Lula e aumentar o risco de processos contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Para isso, o governo pretende lançar nomes de peso em estados estratégicos, como São Paulo, Paraná, Bahia e Mato Grosso.

A disputa em São Paulo desponta como a mais concorrida, reunindo possíveis candidaturas de ministros do atual governo, como Marina Silva (Rede), Simone Tebet (MDB), Márcio França (PSB) e Fernando Haddad (PT). Haddad, inclusive, também é citado como possível adversário do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

Em meio às articulações, o colunista Elio Gaspari avalia que novos movimentos ainda podem surpreender. “Os sinais de fumaça vindos da taba de Lula sugerem que ele prepara uma nova surpresa. A vice-presidência continuará com Geraldo Alckmin, mas a surpresa virá antes do segundo turno. Desta vez a novidade passará pelo cacique Gilberto Kassab”, escreveu.

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