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Em meio a sanções comerciais e acusações de maus-tratos, governos latino-americanos enfrentam a crescente ofensiva de deportações liderada por Trump

A relação entre os Estados Unidos e América Latina sofreu uma reviravolta nos últimos dias, com a intensificação da política de deportações de imigrantes ilegais promovida pela administração de Donald Trump. O primeiro grande confronto ocorreu entre os EUA e a Colômbia, quando o presidente Gustavo Petro se viu pressionado a aceitar a chegada de aviões militares dos Estados Unidos para repatriar colombianos deportados. A ameaça de uma taxação de 25% sobre os produtos colombianos, com possibilidade de aumento para 50%, foi suficiente para que Bogotá cedesse. Apesar de ter inicialmente resistido à medida, Petro, que já foi preso político, se viu forçado a anunciar que “o impasse com o governo americano havia sido superado”. Trump comemorou a vitória, afirmando que “os eventos de hoje deixaram claro para o mundo que a América voltou a ser respeitada.”

No entanto, a crise não se limitou à Colômbia. O envio de deportados também gerou um forte incidente diplomático entre os Estados Unidos e o Brasil. No sábado, 88 brasileiros foram repatriados, e relatos de abusos e maus-tratos durante o voo, incluindo o uso excessivo de algemas e agressões físicas, desencadearam uma reação imediata do governo brasileiro. O Itamaraty emitiu uma nota condenando o tratamento inadequado dos deportados, alegando que o uso indiscriminado de algemas violava acordos bilaterais de respeito e dignidade para com os repatriados. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, ordenou a retirada das algemas quando o avião fez uma escala em Manaus por falha técnica. Além disso, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, expressou preocupação com as condições enfrentadas pelas vítimas e sugeriu a criação de um posto de atendimento humanitário no aeroporto de Belo Horizonte caso deportações se tornem mais frequentes.

A deportação de brasileiros pelos Estados Unidos tem se tornado uma prática cada vez mais comum, com dados do Departamento de Segurança Interna apontando 7.168 deportações apenas no governo de Joe Biden, número que supera o de governos anteriores, incluindo o de Trump. Além disso, Tom Homan, ex-agente da patrulha de fronteira e responsável pela missão de deportação durante a presidência de Trump, participou de operações em Chicago, marcando o início de uma fiscalização ainda mais rigorosa nas cidades dos Estados Unidos.

A situação também gerou reações em outros países da América Latina. A presidente de Honduras, Xiomara Castro, convocou uma reunião extraordinária da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) para discutir as implicações das deportações em massa, destacando a crescente pressão sobre os governos latino-americanos em relação à política imigratória dos Estados Unidos.

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