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A imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros, anunciada pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump na última quarta-feira (10), está provocando impactos imediatos na política nacional. Segundo Trump, a medida seria uma forma de pressionar pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos demais envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. No entanto, o efeito imediato foi um inesperado rearranjo nas relações entre o Palácio do Planalto e o Centrão, além de uma reaproximação entre o governo e o empresariado brasileiro.

Após meses de atrito, especialmente por conta do aumento do IOF, Planalto e Centrão ensaiam agora um discurso unificado em defesa da soberania nacional e da proteção aos setores econômicos prejudicados pelo tarifaço. Mesmo com a movimentação, líderes do Centrão apontam que o alinhamento é pontual e pode não resistir à pauta legislativa da semana: estão previstas votações sensíveis, como a revisão do licenciamento ambiental, a PEC da segurança pública e a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil.

Diante da gravidade da medida norte-americana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu reagir politicamente. Reuniu ministros na noite de domingo (13), anunciou a criação de um comitê de crise para discutir estratégias contra as tarifas e planeja encontros com líderes empresariais, tanto para defender a produção nacional quanto para reforçar a imagem de que Bolsonaro seria o responsável direto pelo tarifaço. Paralelamente, a comunicação oficial do governo intensificou ações nas redes sociais, explorando a narrativa da defesa da soberania nacional.

Do lado da oposição, o clima é de tensão. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visto como principal herdeiro político do bolsonarismo, teve que recalibrar o discurso. Inicialmente, criticou o governo federal pela crise e apareceu ao lado de Bolsonaro em Brasília. Depois, em evento com empresários paulistas, adotou tom conciliador e defendeu a atuação diplomática do Planalto.

A mudança de postura se explica: empresários paulistas, afetados diretamente pelas tarifas e até então aliados de Tarcísio, passaram a cobrar uma posição mais autônoma em relação ao bolsonarismo. O desgaste causou atrito com o clã Bolsonaro.

Na sexta-feira (11), o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde fevereiro fazendo lobby contra os processos do pai no Supremo, criticou publicamente a aproximação com o governo e rejeitou qualquer acordo que não envolva anistia aos golpistas de 8 de janeiro. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o Brasil não tem poder de barganha para enfrentar os EUA e classificou as tarifas como um “empurrãozinho” rumo à anistia.

No campo jurídico, a segunda-feira (14) também marca um novo capítulo na responsabilização pelos ataques golpistas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou suas alegações finais no processo contra Jair Bolsonaro e outros sete réus no STF, por tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022.

Mesmo diante do avanço da ação penal, os acusados receberam uma sinalização favorável: o ministro do STF André Mendonça, indicado por Bolsonaro, será o relator de um recurso que busca suspender o processo, movido pela defesa do ex-assessor Filipe Martins. O agravo questiona a atuação do ministro Alexandre de Moraes no caso.

Em meio à turbulência diplomática e à disputa interna por protagonismo, o cenário político se redesenha. O tarifaço impulsiona alianças improváveis e revela os desafios de lideranças conservadoras em se desvincular do bolsonarismo diante da pressão internacional e dos reflexos econômicos domésticos.

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