0

Pesquisa “Viver em Salvador: Qualidade de Vida 2026” revelou percepção dos moradores da capital baiana.

Cerca de 44% das ocorrências de disparos de arma de fogo aconteceram em ações policiais no ano passado. Antes de sair de casa, Lucas Tavares, 29, não esquece a doleira, que era usada apenas no Carnaval e agora é essencial para o dia a dia, principalmente pelo medo de ser assaltado. Assim como o estudante, seis em cada dez moradores de Salvador consideram o aparato de segurança proporcionado pelo Governo do Estado como o maior problema da cidade. A estatística surge da pesquisa Viver em Salvador: Qualidade de Vida 2026, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pela Ipsos-Ipec.

Ainda segundo Lucas, a sensação de insegurança mudou a forma como ele vive no dia a dia: “Hoje, nem no transporte público me sinto tão seguro, então, acabo saindo à noite só quando tenho dinheiro pra ir e voltar de Uber. Isso acaba me limitando a frequentar mais os espaços que ficam perto de casa”.

Como exemplos de mudança de hábito por medo da insegurança, a reportagem ouviu algumas estratégias utilizadas pelos soteropolitanos para tentar se prevenir de assaltos ou de troca de tiros. Entre elas, utilizar um “celular do ladrão”, evitar bares à noite, não usar celular nos transportes públicos, sair para correr sem levar eletrônicos ou mudar algum trajeto para evitar determinados locais.

Um medo totalmente justificado. Segundo o Instituto Fogo Cruzado, a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) bateu recorde de participação em tiroteios em Salvador e RMS em 2025. Cerca de 44% das ocorrências de disparos de arma de fogo aconteceram durante ações e operações policiais no ano passado. Foram 662 casos, o maior índice da série histórica.

Ainda de acordo com a pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis/Ipsos-Ipec, 59% dos entrevistados acham que a segurança é o maior problema na capital baiana. Em seguida, aparecem emprego e renda (15% das menções), e saúde (9%). Para 42%, a principal política pública para melhorar a qualidade de vida na cidade é fortalecer a segurança pública nos bairros, com mais policiamento comunitário, boa iluminação e ações para prevenir a violência.

Segundo o professor do Mestrado em Gestão da Segurança Pública, Justiça e Cidadania da Ufba Horacio Nelson Hastenreiter Filho, a indicação da segurança como o maior problema da cidade tem múltiplas causas. “Há uma tendência de atribuir culpa ao governo federal, ainda que a responsabilidade seja dos governos estaduais. As estatísticas também colocam a Bahia em uma posição ruim nos rankings nacionais de criminalidade, o que aumenta a evidência do problema”, explica.

“Um outro aspecto importante diz respeito a uma condição ímpar da segurança. O cidadão não precisa ser vítima de um crime de maior ou menor gravidade para estar preocupado com a segurança. A sensação de vulnerabilidade já é impactante para o cidadão”, complementa.

Fonte: Alan Pinheiro

Teto caindo e ‘vaquinha’ para internet: bombeiros denunciam más condições de quartel na Bahia

Artigo anterior

Inscrições para concurso público na Bahia com salários de até R$ 7,4 mil são prorrogadas

Próximo artigo

Você pode gostar

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais sobre Capital