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CompartilheCompartilhe 0 A história dos heróis da independência é argumento suficiente para sanar qualquer dúvida sobre o quão fundamental é a música para a cidade de Salvador. O ano era 1822, a batalha era a de Pirajá e os acordes seriam os de “Recuar”. Seriam se o corneteiro Luiz Lopes não se passasse na partitura e entoasse “Avançar cavalaria, à degola”, fazendo com que os baianos sambassem na cara dos portugueses e mostrassem quem de fato mandava na festa. Desde então, a corneta vem ganhando diferentes formas, soprando novos ritmos, mas sempre ecoando a trilha que embala as batalhas de cada dia. A primeira capital do Brasil respira música e, não por acaso, desde 2015, ostenta o título da Unesco de Cidade da Música. E todo soteropolitano tem um caso para contar e uma canção para cantar. Repare: todo mundo que se cria por aqui tem sua música de estimação. Aquela que é cantada baixinho no trabalho, ou aos berros na cozinha de casa. Sem falar que é de lei você entrar no ônibus e o cobrador estar acompanhado da sua caixinha de som enquanto relembra a história do bêbado que, no dia do Ba-Vi, tentou pular a catraca. Se você não mora em condomínio, com certeza já viu o peixeiro que atravessa a rua rimando em ladainha arraia com miraguaia, ou os inconfundíveis vendedores de taboca anunciando seu produto ao som do “tengo-lengo-tengo” do triângulo. O som dessa terra pulsa da Barra à Ribeira, de Itapuã ao Garcia, de Cajazeiras à Federação. Há música por todos os cantos, para todos os gostos e cada momento. Há séculos é assim. Para ser mais específico, é assim desde que “Deus entendeu de dar toda magia pro bem, pro mal, primeiro chão na Bahia. Primeiro carnaval, primeiro pelourinho também”. O batuque preto, vindo da África, se encontrou com o chocalho Tupi e as violas de fado lusitanas numa miscelânea sonora que desaguou no Samba de Roda, na Tropicália, no Afoxé. Por sua vez, esses e tantos outros movimentos pariram e seguem parindo novos filhos: o rock de Raulzito, o samba-pop-psicodélico dos Novos Baianos, a pancada percussiva da Didá, o Tchan amarrado de Washington e Jamaica. São Salvador é essa mistura, é essa eterna transmutação. É gente tirando som de caixa de madeira, couro de bode, lata, arame, cabaça, pedaço de pau. A onda sonora ocupa os dois pavimentos da cidade e transborda na expressão do soteropolitano, que naturalmente fala, dança e transpira por música. No ano em que a canora cidade completa seus bens vividos 475 anos, o CORREIO traz para as suas páginas impressas e virtuais toda essa sonoridade. A edição especialmente preparada para esta sexta com “S” de Santa, Som e Salvador é uma caravela elétrica, guiada por uma guitarra baiana, que navega em águas profundas onde cada parada é uma caça ao tesouro na Baía de Todos os Sons. De posse da partitura, agora é encher os pulmões e mergulhar de cabeça nas histórias dos redutos do samba, da percussão do Olodum, dos novos nomes do pagode, da Escola de Música da Ufba, além da majestosa apresentação de Raysson Lima acompanhado da Neojiba e do seu imponente berimbau, na casa de concerto Concertgebouw, em Amsterdam, e de tantas outras pérolas que andavam escondidas, mas hoje são resgatadas em texto, imagem e – é claro – muito som para os nossos leitores. O projeto especial Som Salvador é uma realização do Jornal Correio, com patrocínio da Unipar, apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador e apoio da Wilson Sons e Salvador Shopping. Fonte: Jornal correio
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