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Apesar da promessa feita durante a campanha eleitoral, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), ainda não conseguiu cumprir o compromisso de “zerar a fila da regulação” no estado. A realidade nas unidades de saúde mostra o contrário: 330 pacientes aguardam vaga em hospitais pelo sistema da Central Estadual de Regulação, permanecendo em UPAs municipais de Salvador, segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) ao jornal Correio.

A situação evidencia o descompasso entre o discurso político e a realidade do sistema público de saúde na Bahia. Em junho de 2022, durante sabatina da rádio Metrópole, Jerônimo afirmou com veemência:

“Eu vou zerar a fila da regulação. O que meu programa de governo estabelece é a gente ter uma oferta por todos os territórios da Bahia de profissionais e serviços da saúde, com equipamentos de qualidade.”

Contudo, em agosto de 2025, pouco mais de um ano e meio após assumir o cargo, o discurso mudou:

“Vai ter regulação sempre. Vai ter fila sempre.”

A fala, feita durante entrevista em Guanambi, foi recebida com críticas por profissionais da saúde e familiares de pacientes, sobretudo diante de casos como o do lavrador Alaelson dos Santos Campos, de 38 anos, que precisou aguardar mais de uma semana por uma vaga para cirurgia, mesmo com fortes dores e restrições alimentares.

O drama da espera por regulação

Morador de Jacobina, Alaelson deu entrada na UPA da cidade no último dia 8 de setembro, após sofrer uma queda decorrente de um problema nos joelhos, o que resultou em oito fraturas na face. Um laudo médico apontou a necessidade urgente de cirurgia bucomaxilofacial para redução e fixação das fraturas, mas, segundo sua esposa, Arilma Rosa de Souza, não havia vaga nem profissional disponível no sistema estadual.

“Na verdade, é um descaso deixar um ser humano esperando tanto tempo por atendimento”, desabafou Arilma à reportagem do Correio, que acompanhou o caso.

A regulação de Alaelson só foi efetivada após a publicação da matéria, quando ele foi finalmente transferido para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, onde passaria por nova tomografia e avaliação com um neurologista.

Prefeitura x Governo do Estado

A crise na regulação acentuou o embate político entre a Prefeitura de Salvador, comandada por Bruno Reis (União Brasil), e o governo estadual. Em maio do ano passado, o prefeito já havia criticado o sistema estadual de saúde:

“Imagine se não houvesse essas UPAs. As UPAs de Salvador tiraram as pessoas das portas dos hospitais como o HGE e o Roberto Santos. Muitas ficavam deitadas em macas, nos corredores, à espera de atendimento. Isso não é discurso, é realidade”, disse Bruno Reis, reforçando a importância da estrutura municipal para evitar o colapso do sistema.

A crítica do prefeito evidencia que, mesmo com investimentos em UPAs e esforços municipais, a ausência de resposta eficaz do sistema estadual de regulação ainda causa sofrimento e risco à vida de milhares de pacientes baianos.

Silêncio da Sesab

Procurada pela reportagem do Correio para comentar o caso de Alaelson e explicar a lentidão da regulação, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) não respondeu até o fechamento da matéria — uma ausência que amplia ainda mais as críticas à condução da pasta.

Enquanto o sistema falha em atender com a rapidez necessária, casos como o de Alaelson se repetem todos os dias pelo estado, alimentando a percepção de que as promessas de campanha se distanciam da realidade dos corredores hospitalares.

Com a proximidade de novos ciclos eleitorais e da COP-30 em Belém, que deve atrair atenção internacional para o Brasil, a pressão por uma resposta eficiente ao colapso na saúde pública da Bahia tende a crescer — tanto da sociedade civil quanto dos adversários políticos.

Afinal, quando a regulação falha, quem paga é o povo — com dor, com espera e, muitas vezes, com a própria vida.

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