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Alvo de críticas cada vez mais intensas por conta da atuação do ministro Dias Toffoli no caso envolvendo o Banco Master, o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um momento de forte desgaste institucional e debate interno sobre limites de atuação. A avaliação é do próprio presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que defende a adoção de medidas de autocontenção, incluindo a criação de um código de conduta para os magistrados.

“Ou nos autolimitamos, ou poderá haver limitação de um Poder externo. Não creio que o resultado seja bom, haja vista o que aconteceu na Polônia e no México”, afirmou Fachin, ao comentar os riscos de interferências externas diante do avanço das críticas ao Judiciário. O presidente do STF, no entanto, evitou avaliar diretamente as condutas de Toffoli e do ministro Alexandre de Moraes e reconheceu que, mesmo entre integrantes favoráveis ao código de conduta, há o entendimento de que o debate não deve ocorrer em ano eleitoral.

O desconforto com a situação de Toffoli também chegou ao Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria feito comentários duros sobre a atuação do ministro, que foi indicado por ele ao Supremo. Segundo relatos, Lula chegou a afirmar que preferiria que Toffoli deixasse a Corte, embora interlocutores próximos avaliem que o presidente dificilmente levaria essa ideia adiante de forma institucional.

O caso Banco Master tende a ganhar novos desdobramentos. De acordo com a jornalista Andréia Sadi, investigadores têm alertado o STF sobre frentes de apuração que não estão sob a alçada de Toffoli, envolvendo fundos e estruturas financeiras. Essas investigações paralelas podem trazer revelações consideradas sensíveis e potencialmente comprometedoras para a imagem da Corte.

As conexões do caso também alcançam o cenário político e empresarial. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelou que dois irmãos de Dias Toffoli — um engenheiro e um padre — foram sócios de um segundo resort da rede Tayayá, em parceria com o apresentador Ratinho, pai do governador do Paraná, Ratinho Júnior, possível candidato do PSD à Presidência da República. Ainda segundo a reportagem, os irmãos venderam por R$ 6,6 milhões suas cotas em um primeiro resort a fundos ligados ao pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado e aliado do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A cunhada do ministro, por sua vez, nega que o marido tenha sido sócio de qualquer resort.

O avanço das investigações e a pressão política ampliam o debate sobre transparência, limites institucionais e a necessidade de regras internas mais claras no Supremo, em um momento de forte escrutínio público sobre a atuação de seus membros.

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