Preço despenca 70% e produtores de laranja de Rio Real planejam nova paralisaçãoTonelada chegou a R$ 250 nesta safra, enquanto o custo de produção seguiu inalterado; ato deve ocorrer em setembro, agora em território sergipano.

Produtores de laranja da região de Rio Real, na divisa da Bahia com Sergipe, enfrentam uma crise que se arrasta desde 2023 e agora avaliam uma nova paralisação para pressionar por medidas emergenciais. A tonelada da fruta chegou a R$ 250 na safra em curso, valor cerca de 70% menor do que o obtido no mesmo período do ano passado.

“O preço do custo continua o mesmo, o que está muito baixo é o valor da venda”, resume o presidente do sindicato dos produtores rurais de Rio Real, Fernando Braz. Depois de protestos em que doaram laranjas à beira da BR-101, os citricultores pretendem realizar um novo ato em setembro, desta vez em território sergipano — rota por onde passam os caminhões que abastecem a indústria vizinha.

Região produz, mas não processa

O Norte da Bahia e o Sul de Sergipe formam a maior região produtora de laranja do Nordeste. As únicas indústrias com capacidade de processamento, porém, ficam no estado vizinho — gargalo que está na raiz das reivindicações apresentadas ao governo baiano, entre elas a instalação de agroindústrias na região.

Viajando de Novo

A pauta inclui ainda a inclusão da laranja na merenda de todas as escolas estaduais, a criação de um box na Ceasa para venda direta, a renegociação das dívidas dos produtores e a compra do estoque pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Uma portaria federal destinou cerca de R$ 10 milhões a ações emergenciais de apoio à citricultura nacional, valor considerado insuficiente pelo setor.

“Se eles lançarem 10 milhões de reais para o Brasil todo, não vai mudar em nada aqui a nossa realidade. A safra acaba agora em agosto”, afirmou Braz, alertando para o risco de a fruta apodrecer no pé.

A Secretaria da Agricultura do Estado (Seagri) informou que articula medidas com o governo federal, parlamentares e municípios, entre elas o uso da Política de Garantia de Preços Mínimos por meio de leilões da Conab, a atração de uma agroindústria para o estado e a aquisição de máquinas extratoras para produção de suco destinado à alimentação escolar. A pasta também propõe a criação de uma Comissão de Enfrentamento à Crise da Citricultura.

Procurada, a Conab afirmou já ter identificado o desequilíbrio entre a oferta e a capacidade regional de processamento, agravado pela recomposição dos estoques de suco e pela recuperação lenta da demanda externa. A companhia aponta como alternativas de curto prazo o Prêmio para o Escoamento de Produto (PEP) e o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), mas descarta a formação de estoques públicos pela alta perecibilidade da fruta.

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