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Registros mostram que agentes foram avisados com quatro horas de antecedência sobre o vazamento da Operação Contenção; STF e governo federal cobram explicações e prometem perícia independente.

As forças de segurança do Rio de Janeiro tinham conhecimento prévio de que a Operação Contenção havia sido vazada, cerca de quatro horas antes do início da incursão nos complexos do Alemão e da Penha, segundo documento obtido pela Folha de S.Paulo. O registro de ocorrência produzido por agentes relata que cerca de 20 homens em motos entraram em confronto com policiais por volta de 1h da terça-feira (29) — horas antes da deflagração oficial da ação.

De acordo com o relato, dois suspeitos baleados e mortos teriam se identificado como chefes do Comando Vermelho no Espírito Santo, afirmando que fugiam após saber da operação. Apesar disso, o secretário da Segurança Pública do estado, Victor Santos, negou que tenha ocorrido vazamento:

“Não houve qualquer tipo de informação antecipada. A operação foi planejada com sigilo e dentro da legalidade”, disse o secretário.


Vídeo mostra movimentação de criminosos antes da operação

Um vídeo de drone gravado pela polícia mostra 23 homens armados reunidos no alto do Complexo da Penha, alguns vestidos com roupas camufladas e uniformes semelhantes aos das forças de segurança. Em outro momento, as imagens captam 83 criminosos fugindo pela mata.

A investigação aponta que chefes do tráfico de vários estados, incluindo Goiás, Espírito Santo, Bahia, Ceará, Amazonas e Pará, estavam entre os integrantes do Comando Vermelho monitorados. As provas reunidas incluem vídeos e mensagens interceptadas de aplicativos, que detalham ordens de tortura, execução e cooptação de policiais.


STF cobra explicações de Castro e monitora letalidade

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), viajará ao Rio na segunda-feira (3) para se reunir com o governador Cláudio Castro (PL). A visita ocorre no âmbito da ADPF das Favelas, ação que acompanha a letalidade policial no estado.

Moraes exigiu que o governo fluminense apresente informações completas sobre a operação: justificativa formal, quantidade de agentes e armamentos, número de mortos, feridos e detidos, além de detalhes sobre perícia, uso de câmeras corporais e atendimento às vítimas.

“O objetivo é garantir o cumprimento das diretrizes fixadas pelo STF para operações em áreas densamente povoadas”, afirmou uma fonte próxima ao ministro.


Governo federal envia peritos e promete perícia independente

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciou o envio de 20 peritos da Polícia Federal para auxiliar o Instituto Médico-Legal (IML) do Rio nas necropsias dos mais de 120 mortos. Segundo ele, trata-se do primeiro resultado concreto do escritório emergencial criado entre o governo federal e o estado:

“Os peritos são especializados em necropsias, balística e DNA. Já há profissionais da PF no Rio se apresentando para o trabalho”, afirmou o ministro.

A Força Nacional também enviará de 10 a 20 especialistas adicionais, conforme a demanda.

Paralelamente, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, prometeu uma perícia independente e classificou a operação como “um fracasso, uma tragédia, um horror inominável”.

“Não adianta chegar em nossas comunidades expondo crianças e idosos a esse pavor. O combate ao crime deve começar pela cúpula, não pelo povo pobre e preto”, afirmou.


Pressão política e novas denúncias

O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) acusou o governador Cláudio Castro de ter autorizado execuções durante a operação, alegando que os policiais “agiram com liberdade para matar”. Ele criticou a estratégia de levar confrontos para a mata da Serra da Misericórdia, chamando o local de “muro da morte”.

Enquanto isso, o líder do Comando Vermelho, Marcinho VP, entrou com recurso no STF para tentar liberar uma entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, da Record. A Justiça Federal de Campo Grande havia negado o pedido, mas a defesa alega censura prévia. O caso será analisado pelo ministro Flávio Dino, que recebeu pedido de urgência.

Após operação mais letal da história, Cláudio Castro anuncia “consórcio da paz” com governadores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste

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