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A organização da COP30, em Belém, voltou ao centro das atenções após a Organização das Nações Unidas enviar uma carta ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao presidente da conferência, embaixador André Corrêa do Lago, criticando falhas de infraestrutura e segurança no evento. O documento, assinado por Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), alerta para “brechas graves” no controle de acesso, como portas sem monitoramento e número insuficiente de seguranças. As queixas foram motivadas pela invasão de uma área restrita por manifestantes na última terça-feira, episódio que deixou dois seguranças feridos. Segundo a Casa Civil, todas as solicitações feitas pela ONU já foram atendidas.

Em paralelo às questões estruturais, novos dados científicos divulgados nesta quinta-feira reforçaram a urgência climática. O relatório Global Carbon Budget aponta que as emissões globais geradas por combustíveis fósseis devem atingir um novo recorde em 2025, atingindo 38,1 bilhões de toneladas de CO₂ — um aumento de 1,1% em relação ao ano anterior. O documento alerta que limitar o aquecimento a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais pode estar se tornando inviável, especialmente porque energias renováveis ainda não crescem na velocidade necessária para compensar a demanda global de energia.

Em resposta aos desafios do clima extremo, o Ministério da Saúde lançou na COP30 um plano de adaptação climática para o Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto estabelece orientações de prevenção, vigilância e cuidado para regiões mais vulneráveis. O ministro Alexandre Padilha explicou que a proposta busca “adaptar o serviço de saúde para a realidade das populações que vivem em regiões muito afetadas pelas mudanças climáticas”. Pela primeira vez, a conferência da ONU contará com um dia dedicado exclusivamente à interface entre saúde e clima.

O Supremo Tribunal Federal também marcou presença na conferência. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, afirmou que cerca de 350 mil processos ambientais envolvendo a Amazônia tramitam atualmente no Judiciário. Fachin destacou ainda que o financiamento climático é tema prioritário para o STF e lembrou que a Corte já considerou inconstitucional o bloqueio de recursos do Fundo Clima.

Apesar dos alertas, estudos apresentados na COP30 mostram oportunidades econômicas promissoras. Cálculos do Instituto Aya e da consultoria Systemiq, com apoio do programa britânico UKPact, indicam que o Brasil pode ampliar em mais de 400 bilhões de dólares seu PIB e gerar até 10 milhões de empregos até 2030 ao investir em uma economia verde. A transição combinaria geração de renda, conservação da biodiversidade e maior competitividade internacional. Uma plataforma que organiza oportunidades de empregos verdes e investimentos por estado também está sendo apresentada durante o evento, oferecendo um mapa prático para empresas, governos e trabalhadores.

As discussões da COP30, marcadas por tensões organizacionais e pela urgência climática global, reforçam a necessidade de respostas rápidas, tanto do Brasil quanto da comunidade internacional.

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