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A morte de mais um cidadão americano durante uma ação de agentes federais de imigração dos Estados Unidos, o cada vez mais temido ICE, empurrou o país para uma crise sem precedentes na história recente. Neste domingo, um dia após o assassinato de Alex Pretti, de 37 anos, autoridades do estado de Minnesota e órgãos federais entraram em confronto aberto, trocando acusações de violação das leis e abuso de poder.

O caso teve impacto imediato em Washington. Senadores democratas passaram a ameaçar barrar um acordo orçamentário que prevê o repasse de US$ 10 bilhões ao ICE, enquanto até parlamentares republicanos defenderam a abertura de uma investigação independente sobre a atuação da agência. Pretti, enfermeiro de um hospital de veteranos e cidadão americano, foi classificado pela administração Donald Trump como um “terrorista doméstico”, narrativa que gerou forte reação local.

O comandante do ICE, Gregory Bovino, afirmou que os agentes envolvidos foram as “verdadeiras vítimas” da ocorrência. Já o governador de Minnesota, Tim Walz, acusou o governo federal de promover uma campanha de difamação “indescritível” contra Pretti, questionando a legalidade e a transparência da operação.

Vídeos gravados por testemunhas contradizem a versão oficial apresentada pelo ICE. As imagens mostram que Alex Pretti segurava um celular no momento da abordagem e que, embora portasse uma arma legalizada, ela foi retirada pelos agentes antes dos disparos, quando a vítima já estava imobilizada no chão. As gravações reforçaram as críticas à conduta dos agentes e intensificaram os pedidos por responsabilização.

A família de Pretti reagiu com indignação após a divulgação dos vídeos. Em nota, parentes afirmaram que ele era um profissional dedicado, reconhecido pelo cuidado com os pacientes e pela defesa de outras pessoas. Segundo a família, as acusações feitas após sua morte aprofundaram o sofrimento e representam uma tentativa de desumanizar a vítima antes mesmo de qualquer investigação conclusiva.

O ex-presidente Barack Obama também se manifestou, classificando o episódio como uma “tragédia devastadora” e um “alerta” sobre o enfraquecimento de valores fundamentais nos Estados Unidos. Em declaração pública, Obama afirmou que há indícios de que agentes federais não estejam atuando de forma legal ou responsável em Minnesota, além de criticar duramente o governo Trump.

A repercussão do caso se soma ao desgaste político da política migratória. O analista Nate Silver avaliou que o episódio evidencia a perda de apoio popular ao ex-presidente. “Trump está perdendo os ‘eleitores comuns’ no tema da imigração. Os americanos podem querer mais fiscalização contra imigrantes ilegais, mas não querem que agentes do ICE matem civis”, afirmou.

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