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O dia seguinte ao encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado na Malásia, e à surpreendente vitória de Javier Milei nas eleições legislativas argentinas foi marcado por uma onda de otimismo nos mercados financeiros do Brasil e da Argentina, as duas maiores economias da América do Sul. As bolsas quebraram recordes históricos, o dólar recuou e os investidores enxergaram sinais de estabilidade política e econômica no horizonte — ainda que apenas no curto prazo.

No Brasil, o Ibovespa subiu 0,55%, aproximando-se da inédita marca dos 147 mil pontos. O movimento foi impulsionado pela expectativa de uma possível redução nas tarifas sobre produtos brasileiros, após os diálogos entre Lula e Trump. O dólar também caiu 0,42%, encerrando o dia cotado a R$ 5,37, refletindo o alívio nas tensões comerciais.

Já na Argentina, os impactos foram ainda mais expressivos. A Bolsa de Buenos Aires teve uma disparada histórica de 31% em dólares, a maior alta diária em mais de três décadas, após o resultado eleitoral que deu vitória ao partido de Javier Milei. O risco-país e o dólar paralelo também recuaram, evidenciando a reação positiva dos investidores ao fortalecimento político do líder libertário.


Diálogo sem acordos, mas com avanços

Apesar do entusiasmo dos mercados, nenhum acordo concreto foi firmado entre os presidentes Lula e Trump. O republicano norte-americano elogiou o líder brasileiro e acenou positivamente ao diálogo, mas evitou comprometer-se com medidas imediatas.

“Tivemos uma reunião muito boa, vamos ver o que acontece. Não sei se alguma coisa vai acontecer, mas veremos. Eles gostariam de fazer um acordo. Vamos ver, agora mesmo eles estão pagando, acho que 50% de tarifa”, declarou Trump.

Mesmo sem resultados práticos imediatos, o governo brasileiro avaliou o encontro como um passo importante na retomada das negociações comerciais. Segundo o chanceler Mauro Vieira, ficou estabelecido um cronograma de tratativas para revisar tarifas impostas às exportações brasileiras.

“Esse será o primeiro passo do processo negociador — o encontro com os três membros da delegação americana. Vamos definir um cronograma e os setores sobre os quais vamos conversar para que possamos avançar”, explicou Vieira.

De acordo com o ministro, o Brasil pretende solicitar a suspensão temporária das tarifas durante o andamento das negociações. Ainda não há, porém, prazo definido para que a medida entre em vigor.


Milei amplia força política e promete reformas

Na Argentina, o resultado das urnas consolidou Javier Milei como uma das figuras políticas mais influentes do país. Seu partido conseguiu vitória expressiva até na província de Buenos Aires, tradicional reduto peronista, e agora busca construir maioria no Congresso para viabilizar suas reformas trabalhista e tributária.

Milei descartou qualquer aliança com Axel Kicillof, governador de Buenos Aires e liderança ascendente do peronismo, afirmando que ele “abraça ideias comunistas”. No entanto, o líder libertário fez acenos a governadores e partidos de centro e centro-direita, indicando disposição para compor alianças pontuais que garantam governabilidade.

Com 40% dos votos, o partido de Milei dificulta a derrubada de vetos presidenciais, mas ainda precisa negociar para aprovar suas propostas mais ambiciosas — um desafio que testará sua capacidade política e o equilíbrio institucional do país.


O cenário pós-domingo, portanto, trouxe alívio imediato aos mercados, mas deixou em aberto as perspectivas de médio e longo prazo. Entre expectativas de reformas, novos acordos comerciais e rearranjos políticos, Brasil e Argentina vivem um momento de otimismo cauteloso, com os investidores atentos ao desenrolar das negociações e às próximas movimentações no tabuleiro econômico sul-americano.

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