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O presidente da França, Emmanuel Macron, e sua esposa, Brigitte Macron, entraram com um processo por difamação nos Estados Unidos contra a influenciadora conservadora Candace Owens, que tem disseminado uma teoria conspiratória alegando que a primeira-dama francesa teria nascido homem. A ação foi ajuizada em julho de 2025 e tramita no estado de Delaware, onde a defesa da influenciadora tenta barrar o andamento do processo por questões territoriais.

Segundo o advogado do casal Macron, Tom Clare, Brigitte está disposta a apresentar laudos médicos, registros fotográficos e documentos pessoais para refutar categoricamente as alegações. “É profundamente perturbador pensar que alguém precisa se submeter a esse tipo de prova. Mas Brigitte está disposta a fazê-lo. Ela quer encerrar essa história de forma definitiva”, declarou Clare em entrevista ao podcast Fame Under Fire, da BBC.

A defesa sustenta que Owens agiu com “malícia real”, requisito fundamental para condenações em casos de difamação envolvendo figuras públicas nos Estados Unidos. Isso significa que a influenciadora teria divulgado informações sabidamente falsas ou com total desprezo pela verdade. Para reforçar a acusação, os advogados alegam que Owens ignorou provas confiáveis e seguiu impulsionando a teoria com o claro objetivo de atacar Brigitte Macron — e, por consequência, o próprio presidente.

Série conspiratória e repercussão internacional

Candace Owens, ex-integrante do Daily Wire e da organização Turning Point USA, tem milhões de seguidores nas redes sociais e já protagonizou outras controvérsias, como o negacionismo vacinal e declarações revisionistas sobre o Holocausto. No caso de Brigitte Macron, Owens ampliou as acusações em 2024, afirmando que apostaria “toda a sua reputação profissional” na tese de que a primeira-dama seria do sexo masculino. Em 2025, lançou no YouTube a série de vídeos intitulada “Becoming Brigitte”, dedicada exclusivamente ao tema.

A teoria teve origem na França, em conteúdos publicados por Natacha Rey, que já foi processada judicialmente pelo casal Macron em 2024. Embora inicialmente condenadas, Rey e outras pessoas envolvidas conseguiram reverter a decisão no ano seguinte, com base no argumento de liberdade de expressão — o que motivou a busca por justiça fora do país, em um sistema jurídico mais rigoroso quanto à difamação.

“Questão de honra”

Em entrevista à revista Paris Match, o presidente francês explicou o porquê de levar o caso aos tribunais americanos:

“É uma questão de defender minha honra! Porque isso é um absurdo. Trata-se de alguém que sabia perfeitamente que tinha informações falsas e agiu com o objetivo de causar dano, a serviço de uma ideologia e com elos comprovados com líderes da extrema direita”, disse Emmanuel Macron.

A defesa de Owens alega que o processo não deveria prosseguir em Delaware, estado onde a influenciadora não possui operações diretas. Segundo seus advogados, obrigá-la a se defender ali traria “prejuízos financeiros e operacionais substanciais”.

O que está em jogo

O caso pode se tornar um precedente importante sobre os limites da liberdade de expressão e responsabilidade nas redes sociais, especialmente quando se trata de figuras públicas internacionais. Caso os Macron consigam provar a intenção deliberada de difamar, o processo pode resultar em indenizações e um freio judicial a teorias conspiratórias amplamente disseminadas por influenciadores digitais.

Enquanto a Justiça americana avalia a jurisdição e os méritos do processo, a iniciativa dos Macron é vista como um gesto simbólico e político, contra o avanço de desinformação movida por viés ideológico.

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