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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou pela primeira vez de forma aberta a proposta do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar um Conselho de Paz para Gaza sem a participação dos palestinos. A declaração foi feita durante uma longa entrevista concedida à repórter Daniela Lima, na qual Lula também confirmou viagem a Washington, prevista para a primeira semana de março, quando terá uma conversa direta com Trump.

Segundo o presidente brasileiro, não haverá temas proibidos no encontro, com exceção da soberania nacional. Entre os assuntos previstos está a situação política da Venezuela e a possibilidade de fortalecimento da democracia no país vizinho. “Há possibilidade de a gente fortalecer a democracia na Venezuela e o povo da Venezuela. Quem vai resolver o problema da Venezuela são os venezuelanos”, afirmou Lula, ao defender uma solução interna e soberana para a crise venezuelana.

No cenário doméstico, Lula comentou polêmicas envolvendo seu governo e sua família, incluindo o suposto envolvimento de seu filho mais velho, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, em fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. O presidente relatou ter confrontado diretamente o filho. “Eu chamei meu filho aqui, e falo isso para todo mundo. Olhei no olho do meu filho e falei: ‘Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda’”, disse. Lula reiterou que o escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões só veio à tona porque seu governo investigou o que classificou como “uma quadrilha montada no governo Bolsonaro”.

Outro tema sensível abordado foi o encontro realizado no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central em novembro do mesmo ano, sob suspeita de fraudes. Lula minimizou a reunião, explicando que o encontro foi solicitado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e que recebe com frequência executivos do sistema financeiro. Também participaram da reunião o então diretor do Banco Central, Gabriel Galípolo, que assumiu a presidência da autarquia em 2025, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

De acordo com Lula, Vorcaro afirmou estar sendo alvo de perseguição política e ouviu do presidente que o governo não tinha posição favorável ou contrária ao Banco Master, ressaltando que eventuais investigações conduzidas pelo Banco Central seriam “estritamente técnicas”. Documentos do próprio BC indicam que o encontro ocorreu em 4 de dezembro de 2024, enquanto as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal só tiveram início em março de 2025.

Sobre o cenário eleitoral, Lula sinalizou que pode não repetir a chapa com o vice-presidente Geraldo Alckmin nas eleições de outubro, avaliando a possibilidade de utilizá-lo para fortalecer o palanque governista em São Paulo. “Nós temos condições de ganhar em São Paulo. Eu ainda não conversei com Haddad, não conversei com Alckmin, mas eles sabem que eles têm um papel a cumprir em São Paulo”, afirmou. O presidente também indicou que mantém o interesse em lançar o senador Rodrigo Pacheco como candidato ao governo de Minas Gerais, estado onde o governo federal ainda busca consolidar apoio

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