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CompartilheCompartilhe 0 O governo federal está preparando um robusto pacote de medidas ambientais para enfrentar a crise climática, que deverá ser implementado até o próximo dia 21. Neste dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará um discurso na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, apresentando as novas iniciativas. As informações foram divulgadas por Caio Junqueira. Segundo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, uma das principais propostas é a criação do “Estatuto Jurídico da Emergência Climática”. Este estatuto permitirá que regiões identificadas pelo Cemaden como vulneráveis a crises climáticas possam declarar situação de emergência antes que o desastre ocorra. O Plano Nacional de Combate a Incêndios, atualmente em revisão na Casa Civil, deve ser publicado ainda este mês. Além disso, uma Medida Provisória para instituir a Autoridade Climática está em fase final de elaboração e deve ser anunciada nos próximos dias. Dados recentes do Monitor do Fogo, realizado mensalmente pelo MapBiomas, revelam que a área queimada no Brasil em agosto foi 149% maior do que no mesmo mês do ano anterior, totalizando 5,65 milhões de hectares. Para comparação, essa área equivale ao tamanho do estado da Paraíba, representando 49% do território afetado por incêndios em 2024. O Cerrado foi o bioma mais impactado, com 2,4 milhões de hectares queimados, seguido pela Amazônia, com 2 milhões de hectares carbonizados. Os incêndios florestais têm gerado uma densa camada de fumaça que cobre o Brasil. Imagens do Serviço de Monitoramento da Atmosfera, do observatório Copernicus, mostram um aumento significativo no material particulado causado pelas queimadas entre 1º de agosto e 9 de setembro. Esta fumaça eleva o risco de “chuva preta” nos próximos dias, especialmente em regiões dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Desde o início de 2023, o Ministério Público Federal abriu 185 investigações relacionadas a incêndios florestais e queimadas, conforme a Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF, vinculada à Procuradoria-Geral da República. Dentre essas investigações, 164 são procedimentos extrajudiciais e 21 estão diretamente relacionados a incêndios florestais. A situação não é exclusiva do Brasil; um corredor de queimadas e fumaça se estende da Colômbia ao Uruguai. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais revelam que a América do Sul registrou 346.112 focos de incêndio em 2024, ultrapassando o recorde anterior de 2007. Com a crescente gravidade dos incêndios e a extensão da fumaça pela região, as medidas anunciadas pelo governo visam não apenas mitigar os efeitos imediatos, mas também estabelecer um sistema de resposta mais eficiente e sustentável para enfrentar a crise climática.
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