Foto: Geraldo Magela/Agência Senado (CC BY-SA 4.0). Imagem de arquivo.
Dois dias após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) recuou da promessa de pedir a anulação da eleição e afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (26), que vai organizar a oposição ao governo e pedir a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin por abuso de poder econômico. O PL, em nota do presidente Valdemar Costa Neto divulgada na noite de segunda, reconheceu o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), embora defenda esclarecer questionamentos. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21%, diferença de 4.430.191 votos.
Na noite de domingo (25), em Brasília, acompanhado de parlamentares do PL e do Novo, do empresário Pablo Marçal e do advogado Frederick Wassef, Flávio disse a jornalistas que era impossível reconhecer o resultado no contexto em que as coisas aconteceram e anunciou que pediria a anulação. Ele contestou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação por duas horas, até as 19h, e lembrou que o ministro foi indicado por Lula. A própria campanha do senador havia pedido ao TSE a extensão do horário em estados do Sul e do Sudeste atingidos por chuvas. Segundo dados do TSE citados pela imprensa, cerca de 34 mil votos foram registrados após as 17h, perto de 0,03% do total.
Na segunda, o senador declarou que Lula não reconheceria uma vitória sua se a situação fosse inversa e insistiu que a prorrogação precisa ser esclarecida, sem apresentar provas de que ela alterou o resultado. Segundo a Folhapress, a mudança de postura foi aconselhada pela cúpula da campanha. Em 16 de outubro, em sabatina da TV Globo, ele havia prometido respeitar o resultado, qualquer que fosse.
Passaportes e vídeo de Eduardo
No mesmo vídeo, Flávio afirmou ter sido abordado por agentes da Polícia Federal na manhã de segunda, ao sair da casa do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, e intimado a entregar os passaportes, com proibição de deixar o país, por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Segundo a Agência Brasil, a decisão corre em segredo de justiça e integra a investigação no STF que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz. Flávio chamou a medida de intimidação, disse que vai entregar os documentos e se defender e afirmou nunca ter pensado em deixar o Brasil. STF e PF não se manifestaram.
Também na madrugada de segunda, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e tem mandado de prisão em aberto após condenação definitiva pelo STF por coação no curso do processo, publicou no X um vídeo em inglês em que chama a eleição de fraudulenta, classifica a virada de Lula como estatisticamente impossível e pede que estrangeiros não reconheçam o resultado e pressionem pela anulação. Ele não apresentou provas.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou ter absoluta segurança de todo o processo eleitoral e disse que a prorrogação do horário não alterou o resultado. O tribunal também negou que fiscais do PL tenham sido retirados da sala-cofre durante a totalização e reitera que nunca houve fraude comprovada nas urnas eletrônicas, usadas desde 1996. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu o respeito à vontade do eleitor, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), reconheceu a vitória de Lula e pediu pacificação.


