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CompartilheCompartilhe 0 Em meio ao mal-estar provocado pela viagem do ministro Dias Toffoli ao Peru para assistir à partida entre Palmeiras e Flamengo, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, acelerou uma iniciativa que promete mexer com a rotina e a relação dos magistrados com o setor privado. Ele articula a criação de um novo código de ética destinado a disciplinar a conduta de integrantes dos tribunais superiores. A proposta tem duas frentes: uma voltada exclusivamente ao STF, definindo regras específicas para a atuação dos ministros da Corte, e outra no âmbito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para regulamentar a conduta de magistrados do STJ, TST e STM. Fachin já discutiu o tema com colegas e presidentes de outras cortes. Segundo interlocutores próximos, o ministro trabalha na ideia desde o início de sua gestão e se inspira no modelo do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha, que impõe limites rigorosos a remunerações, convites e presentes recebidos por juízes para evitar suspeitas sobre independência e imparcialidade. Modelo atual é insuficiente, dizem magistrados Para ministros alinhados ao projeto, o atual Código de Ética da Magistratura não abrange adequadamente os integrantes das cortes superiores, que são frequentemente convidados para palestras, fóruns e eventos organizados por grandes grupos econômicos — muitas vezes remunerados ou acompanhados de benefícios adicionais. A ausência de regras claras tem ampliado questionamentos públicos sobre a relação entre magistrados e setores com interesses diretos em decisões judiciais. Resistência interna A iniciativa, porém, não foi recebida de forma unânime. A articulação de Fachin irritou ministros, sobretudo os da ala considerada mais garantista, que são habituais participantes — e organizadores — de eventos externos financiados por empresas, institutos e entidades privadas. Para esse grupo, a proposta poderia impor restrições vistas como excessivas e interferir em atividades acadêmicas ou institucionais consideradas tradicionais. Ponto de pressão no Judiciário A discussão ganha força justamente após o desgaste causado pela viagem de Toffoli a Lima, episódio que reacendeu críticas sobre a falta de transparência e limites claros no comportamento de integrantes do Judiciário — especialmente quando envolve benefícios, convites ou conexões privadas. Com resistências e apoios, Fachin tenta transformar o debate em um marco institucional para reforçar a credibilidade da Justiça. A proposta, contudo, deve enfrentar um intenso percurso político dentro e fora das cortes.
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