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O público brasileiro interessado na cultura sul-coreana tem a oportunidade de conhecer uma das expressões mais simbólicas da arte popular da Coreia: a pintura Minhwa. A exposição “Rota da Minhwa: dois espaços, uma experiência” reúne obras de 100 artistas contemporâneos e apresenta releituras da estética folclórica tradicional, destacando valores simbólicos presentes nessa manifestação artística.

A mostra está em cartaz até 26 de abril em dois espaços da Avenida Paulista, o Centro Cultural Coreano e o Shopping Center 3, em São Paulo. A iniciativa é realizada em parceria com a revista Monthly Minhwa e busca ampliar o conhecimento do público brasileiro sobre a tradição pictórica coreana.

A pintura Minhwa teve seus primeiros registros no final da dinastia Joseon e, ao longo do tempo, ganhou popularidade entre diferentes camadas sociais da Coreia. Marcada por cores vibrantes, formas simples e composição simbólica, a arte passou a integrar o cotidiano da sociedade, sendo utilizada na decoração de ambientes e associada a significados ligados à boa sorte, prosperidade, sucesso e longevidade.

Para compreender melhor a importância dessa tradição artística e a proposta da exposição, o curador Jung-seo, editor da revista Monthly Minhwa, doutor em História da Arte e professor do programa de pós-graduação em Educação da Universidade Kyung Hee, destacou que a Minhwa é considerada uma das formas mais representativas da arte popular coreana.

Segundo ele, a tradição chegou a ser interrompida no início e na metade do século XX, em razão de acontecimentos históricos marcantes, como a colonização japonesa e a Guerra da Coreia. No entanto, a partir da década de 1970 houve um movimento de retomada da técnica e do interesse pela pintura, impulsionado por artistas e pesquisadores.

“Especialmente desde os anos 2000, sua base de admiradores expandiu-se rapidamente, e hoje a Minhwa estabeleceu-se como uma das formas de arte popular mais apreciadas”, afirmou Jung-seo.

Ele explica que, embora a Minhwa esteja associada a características estéticas próprias — como espontaneidade, simplicidade e sensibilidade popular —, não se trata de um estilo definido apenas por técnicas específicas. Na contemporaneidade, artistas têm explorado novos materiais e métodos, mantendo a identidade da tradição, mas reinterpretando-a com uma abordagem moderna.

O curador também destaca que, durante muito tempo, a técnica foi transmitida principalmente em ateliês particulares, no modelo tradicional de ensino entre mestre e discípulo. Com o crescimento do interesse pela arte, novas instituições passaram a oferecer cursos especializados, incluindo universidades que incorporaram a Minhwa em seus programas acadêmicos.

Para a exposição em São Paulo, a curadoria buscou apresentar um panorama amplo da produção contemporânea ligada à tradição. Além de obras que reproduzem fielmente a estética da dinastia Joseon, a mostra reúne trabalhos que reinterpretam os elementos tradicionais sob uma perspectiva atual.

Entre os destaques estão pinturas inspiradas na arte da corte real, que influenciaram a produção popular da época, além de três grandes biombos — formato tradicional raramente exibido em exposições desse tipo.

A proposta da mostra é apresentar ao público brasileiro a essência da Minhwa e revelar como essa tradição artística continua viva e em constante transformação na arte contemporânea coreana.

Serviço
Exposição: Rota da Minhwa: dois espaços, uma experiência
Local 1: Centro Cultural Coreano – Avenida Paulista, 460 (terça a sábado, das 10h às 18h30; domingo, das 11h às 17h)
Local 2: Shopping Center 3 – Avenida Paulista, 2064 (todos os dias, das 10h às 22h)
Período: até 26 de abril
Entrada: gratuita

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