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A eleição presidencial no Peru terminou em empate técnico e seguia indefinida. Com 93,9% das urnas apuradas, o esquerdista Roberto Sánchez Palomino aparecia numericamente à frente da direitista Keiko Fujimori, com 50,008% dos votos contra 49,992% — uma diferença de pouco mais de 4 mil votos em um universo de 27 milhões de eleitores.

Sánchez começou a apuração atrás e foi reduzindo a desvantagem aos poucos até assumir a ponta. Ainda faltavam contabilizar cerca de 4,6 mil das 92 mil urnas, segundo o órgão eleitoral peruano. Boa parte das atas restantes vem do exterior, mais favorável a Fujimori, e da região serrana, onde Sánchez é favorito.

Um país em crise política

O vencedor será o nono presidente do Peru em dez anos de instabilidade. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e quatro foram destituídos pelo Congresso, considerado o poder de fato no país.

Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos, Keiko chegou ao segundo turno pela quarta vez, após perder em 2011, 2016 e 2021. Sánchez, psicólogo e deputado, é aliado do ex-presidente Pedro Castillo, preso e condenado por tentativa de golpe.

Durante a campanha, Sánchez moderou o discurso: abandonou a proposta de nacionalizar setores estratégicos, mas manteve a promessa de convocar uma Assembleia Constituinte e de avançar em uma reforma trabalhista voltada à formalização de trabalhadores.

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