0

A ultradireita global sofreu um revés significativo neste domingo com a derrota do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, nas eleições nacionais, encerrando um ciclo de 16 anos no poder. O resultado, considerado histórico, deve gerar repercussões tanto em Washington quanto em Moscou, diante das alianças políticas construídas pelo líder húngaro ao longo de sua gestão.

Autodeclarado defensor da “democracia cristã iliberal”, Orbán era visto como uma das principais referências da direita conservadora internacional, mantendo proximidade com figuras como Donald Trump e JD Vance, além de relações estratégicas com o Kremlin. No cenário europeu, consolidou-se como um dos principais antagonistas de líderes da União Europeia, especialmente em Bruxelas.

Orbán e seu partido, o Fidesz, foram derrotados por Peter Magyar, eurodeputado de centro-direita e líder do partido Tisza. O pleito é apontado como o mais importante desde o fim do regime comunista no país.

Magyar, que integrou o Fidesz por mais de duas décadas e ocupou cargos relevantes na administração pública e na diplomacia europeia, rompeu com Orbán em 2024 e fundou o Tisza, movimento que rapidamente ganhou força ao conquistar cerca de 30% dos votos nas eleições para o Parlamento Europeu. Sua vitória foi impulsionada pela insatisfação popular com casos de corrupção e pelo desempenho econômico considerado abaixo do esperado.

Além de vencer a eleição, o Tisza conquistou uma supermaioria no parlamento húngaro, o que permitirá ao novo governo promover mudanças constitucionais. A expectativa, tanto internamente quanto entre líderes europeus, é de revisão de medidas adotadas por Orbán que impactaram a independência do Judiciário, o sistema eleitoral e direitos de minorias.

A derrota do premiê gerou reações imediatas na União Europeia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “a Hungria escolheu a Europa, e a Europa sempre escolheu a Hungria”, sinalizando a possibilidade de reaproximação institucional após anos de tensão.

Durante seu governo, Orbán acumulou críticas por promover um processo de centralização de poder, com influência sobre o Judiciário e os meios de comunicação, além de constantes embates com a União Europeia, especialmente após a Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. A Hungria, sob sua liderança, frequentemente se posicionou contra sanções mais duras a Moscou, aproveitando-se da exigência de unanimidade em decisões do bloco.

Analistas avaliam que a transição política no país será desafiadora. O eurodeputado português Rui Tavares destacou que Orbán já previa a possibilidade de retorno à oposição, deixando um cenário institucional complexo para seus sucessores. Segundo ele, o novo governo deverá enfrentar obstáculos estruturais, exigindo mobilização conjunta entre sociedade civil e parlamento para promover reformas.

Governo da Bahia investe mais de R$ 20 milhões em obra de pavimentação e amplia mobilidade em Jaguaripe

Artigo anterior

Tensão no Golfo Pérsico: Trump ameaça bloquear Estreito de Ormuz e eleva pressão sobre o Irã

Próximo artigo

Você pode gostar

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais sobre Notícias