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O Criadouro Ararinha-azul, localizado em Curaçá, no norte da Bahia, contestou neste domingo (30) as acusações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) sobre suposta negligência, desleixo e falhas de biossegurança na unidade responsável por conservar a espécie. As críticas surgiram após 11 ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii), recapturadas no início de novembro por suspeita de infecção por circovírus, testarem positivo para o vírus, considerado letal para psitacídeos.

As ararinhas-azuis, originárias do sertão baiano, passaram duas décadas sem serem avistadas na natureza até serem levadas para criadouros no norte do estado. Segundo o ICMBio, a confirmação da infecção reforça a necessidade de ampliar medidas de contenção e revisar protocolos sanitários.

O criadouro, porém, afirma manter 103 ararinhas-azuis sob cuidado, das quais 98 não apresentaram detecção do vírus nos exames mais recentes, enquanto apenas cinco tiveram resultado positivo. A instituição sustenta que adota normas sanitárias internacionais e protocolos rígidos de manejo, alegando divergências entre metodologias laboratoriais que teriam gerado resultados contraditórios. As aves recapturadas, afirma a unidade, estariam infectadas antes da entrada no recinto, quando ainda viviam livres na natureza.

Em nota, o criadouro criticou a postura do Estado, afirmando que, “em vez de atuar em cooperação para enfrentar um problema sanitário que existe no Brasil há mais de 30 anos, prefere transferir a culpa e buscar punições contra uma entidade privada que investe recursos próprios na conservação de uma espécie ameaçada”. A direção também questiona a multa de R$ 1,8 milhão aplicada pelo ICMBio por suposto descumprimento de protocolos de biossegurança e alega não ter recebido acesso à íntegra do laudo técnico que embasou a autuação. A instituição solicitou acesso integral ao processo e uma reunião técnica com laboratórios e autoridades para reavaliar os exames em conjunto.

A ararinha-azul é uma das espécies mais ameaçadas do país. Em março de 2020, 52 aves — enviadas por criadouros da Alemanha e da Bélgica — chegaram ao Brasil para integrar o Programa de Reintrodução da Ararinha-Azul, em Curaçá, retomando ações de repopulação após 20 anos sem registros da espécie na natureza. Desde então, elas vêm sendo preparadas para a reintrodução na Caatinga.

As investigações agora se concentram em identificar a origem do circovírus, responsável pela doença do bico e das penas, que provoca alterações na coloração das penas, falhas no empenamento e deformidades no bico. O vírus não infecta humanos nem aves de produção. A separação segura entre animais positivos e negativos deve orientar os próximos passos para reforçar a biossegurança no plantel.

Após a detecção do vírus em uma ararinha em maio deste ano, o ICMBio instaurou o Sistema de Comando de Incidente para gerenciar a Emergência Circovírus. Vistorias técnicas realizadas em parceria com o Inema e a Polícia Federal concluíram que o criadouro não seguia adequadamente os protocolos sanitários, o que resultou na notificação e, posteriormente, na multa aplicada ao criadouro e ao seu diretor.

A instituição reforça que decisões sobre o futuro da espécie devem ser guiadas por critérios técnicos e transparência, a fim de proteger as ararinhas-azuis e preservar o esforço de conservação na Caatinga.

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