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Norigae, Hanbok e técnicas como Gyubang ganham destaque entre fãs e reforçam a identidade cultural do país.

 

Annyeong

BTS na apresentação no Museu Guggenheim, em Nova York, com cintos e chaveiros que remetem à tradição artesanal coreana  Crédito: Reprodução

Alguns meses antes da reunião do BTS, após sua saída do exército, o cantor V foi uma das estrelas convidadas do Vogue World 2025, em Los Angeles. Na ocasião, algo chamou a atenção no look que ele usava: uma peça tradicional coreana na cor vermelha, que logo se destacou no contraste com o sobretudo cinza, conectando a elegância do artista às suas tradições culturais.

Meses depois, durante o lançamento do álbum Arirang, na apresentação que o grupo fez no Museu Guggenheim, em Nova York, além de V, os outros membros também usaram cintos e chaveiros com nó de crisântemo na cintura, todos com a mesma estética delicada, tradicional e cheia de história.

É claro que fomos pesquisar mais sobre os acessórios, que, na verdade, são chamados Norigae (노리개). Originalmente usados pendurados no Hanbok, eles ganharam releituras contemporâneas, dando um charme especial às indumentárias. Essas peças podem aparecer em diferentes tamanhos e cores, como pingentes e até chaveiros.

Um detalhe importante: esses acessórios eram tradicionalmente utilizados como amuletos de boa sorte. Hoje, tornaram-se ícones de moda genderless (usados por homens e mulheres) e são confeccionados com nós tradicionais (Maedeup) e borlas elegantes, ou seja, ornamentos franjados feitos com fios de algodão ou seda tradicional coreana. Vale lembrar que esses acessórios ganham ainda mais beleza porque podem ser feitos com diferentes tipos de nós coreanos: Dorae, Maehwa, Garakji, Gukhwa e Borboleta. Cada um deles traz referências culturais e significados distintos.

A tradição começou pela necessidade prática aliada ao simbolismo. No passado, as roupas coreanas (Hanbok) não tinham bolsos. Assim, acessórios como o Norigae e o Jumeoni (bolsa de tecido) foram desenvolvidos para carregar objetos pessoais e servir como adornos que indicavam status social e desejos de longevidade, saúde e proteção contra maus espíritos.

Kim Young Ju (Scheila),

professora de Artesanato Gyubang

O Norigae faz parte de uma arte mais ampla, o artesanato tradicional coreano, o Gyubang*, que enriquece não só a moda, mas também a decoração, colocando beleza no dia a dia. A professora Kim Young Ju, conhecida como Scheila, instrutora de curso de artesanato coreano, inclusive em parceria com o Centro Cultural Coreano, em São Paulo, afirma que esta é uma arte ancestral com características muito próprias. “O artesanato tradicional coreano é fundamentado na filosofia de harmonia com a natureza”, destaca ela.

Gyubang é um artesanato tradicional coreano cujo nome faz referência ao Gyubang — um espaço reservado às mulheres dentro da casa, no qual elas realizavam diversas atividades, incluindo trabalhos artesanais. Entre eles, destacam-se também trabalhos delicados de costura, com peças funcionais e decorativas.

Conheça as principais características do Gyubang:

Cores Obangsaek: uso das cinco cores cardeais (branco, preto, azul, amarelo e vermelho), que representam os elementos e as direções do universo.

Geometria e simetria: especialmente visíveis no Jogakbo (patchwork), em que retalhos de tecido criam composições abstratas e equilibradas.

Sustentabilidade: historicamente, nada era desperdiçado; o artesanato nascia da reutilização de materiais preciosos, como seda e rami.

Beleza natural: valorização da textura original dos materiais, como a transparência dos tecidos de verão ou o brilho sutil da madrepérola.

De acordo com a professora Kim Young Ju (Scheila), atualmente o artesanato coreano passa por uma fase de “modernização da tradição”. De maneira mais formal, o Hanbok completo é usado em datas específicas, especialmente durante as celebrações do Seollal (Ano Novo Lunar), Chuseok (Festival da Colheita) e casamentos. Porém, existe uma tendência crescente do Daily Hanbok (Hanbok casual). “Pequenos toques de artesanato, como brincos de Maedeup ou capas de celular com Jogakbo, são usados diariamente por jovens que querem expressar sua identidade cultural de forma contemporânea”, frisa a professora.

Como aprender o artesanato Gyubang

Quem está em São Paulo pode participar de oficinas presenciais ministradas pela professora Scheila, tendo como vantagens o contato direto com os tecidos e a correção dos pontos de costura e dos nós. Já quem mora em outros estados também tem a chance de aprender a arte por meio de cursos on-line e videoaulas, nos quais o aluno adquire técnicas básicas. Também é enviado aos alunos de outras localidades um kit de artesanato, com tecidos cortados, linhas específicas e agulhas, permitindo que a pessoa pratique em casa, seguindo orientações remotas.

Materiais básicos para começar

Quer dar os primeiros passos para aprender a arte? Então, anote aí os itens essenciais:

Tecidos tradicionais: seda (Myeongju), rami (Mosi) ou cânhamo (Sambae). Para iniciantes, o algodão também pode ser usado para praticar.

Linhas: geralmente de seda ou de algodão mais resistentes.

Agulhas finas: adequadas para tecidos delicados.

Ferramentas de precisão: régua, tesoura de tecido bem afiada e um dedal coreano (Golgollachi).

As técnicas que mais se destacam pela beleza e adaptabilidade são:

Jogakbo (조각보): a arte do patchwork coreano, muito apreciada por sua estética moderna.

Maedeup (매듭): a arte dos nós decorativos, usada em bijuterias e acessórios.

Samsol (쌈솔): um método de costura que deixa a peça perfeitamente acabada dos dois lados, ideal para itens transparentes.

Peças para decorar a casa

As técnicas coreanas são extremamente versáteis para a decoração:

caminhos de mesa e jogos americanos (usando as técnicas Samsol ou Jogakbo);

Bojagi (painéis de tecido translúcido que servem como cortinas e filtram a luz);

capas de almofada e tecidos para caixas de chá;

objetos utilitários, como capas de tecido para caixas de lenços e porta-copos de rami.

O artesanato tradicional coreano vai muito além da técnica; é um registro de paciência e dedicação. Ao unir cada ponto de um Jogakbo e entrelaçar cada nó, conectamos o passado ao presente. O artesanato tradicional coreano é a arte de transformar pequenos fragmentos em uma bela história

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