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CompartilheCompartilhe 0 O Centro Terapêutico Família Camaçari, localizado no distrito de Monte Gordo, em Camaçari, tornou-se alvo de uma série de investigações da Polícia Civil da Bahia por suspeitas de crimes graves, incluindo tortura, estupro, maus-tratos, trabalho análogo à escravidão e mortes de internos. Apesar de divulgar nas redes sociais uma estrutura que remete a um ambiente terapêutico de alto padrão, com lazer e atividades diferenciadas, as apurações policiais indicam um cenário oposto. Entre 2022 e 2026, já foram registradas oito denúncias contra a instituição, resultando na abertura de seis inquéritos policiais. A investigação mais recente, conduzida pela 4ª Delegacia de Homicídios de Camaçari, apura a morte de Aline da Silva Fernandes, de 43 anos, ocorrida em março deste ano dentro da unidade. Segundo a polícia, um segundo óbito também é investigado. Dos seis inquéritos instaurados pela 33ª Delegacia Territorial de Monte Gordo, cinco já foram encaminhados ao Judiciário, com três indiciamentos até o momento. Registros obtidos pela reportagem apontam condições precárias nas instalações, com indícios de insalubridade, como colchões rasgados, banheiros sujos, cozinhas em más condições e pacientes mantidos em quartos sem higiene adequada. Relatos de ex-funcionários e ex-internos reforçam as denúncias de violência sistemática. Uma ex-colaboradora, que preferiu não se identificar, descreveu o local como um ambiente de sofrimento extremo. Já o ex-interno George dos Santos relatou agressões físicas e uso de medicação forçada, afirmando ter desmaiado após espancamento e que ainda sofre com sequelas. Denúncias publicadas em redes sociais também apontam situações de negligência e abuso. Um familiar relatou ter encontrado o irmão autista em condições degradantes, enquanto outra mãe afirmou que o filho pedia ajuda para deixar o local, alegando ameaças e confinamento. Levantamento realizado no sistema do Tribunal de Justiça da Bahia indica que o CNPJ da instituição está vinculado a processos envolvendo crimes contra a liberdade pessoal, dignidade sexual e ações de despejo por inadimplência. O Ministério Público da Bahia informou que os casos tramitam sob sigilo. Já o Ministério Público do Trabalho foi acionado para investigar possíveis irregularidades trabalhistas, mas ainda não se manifestou. A defesa do centro terapêutico foi procurada, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para posicionamento.
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