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CompartilheCompartilhe 0 O corporativismo prevaleceu na Câmara dos Deputados. Mesmo condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão, foragida e detida na Itália, a deputada Carla Zambelli (PL-SP) teve o mandato preservado na madrugada desta quinta-feira. A cassação recebeu 227 votos, faltando 30 para atingir o mínimo necessário de 257. Outros 170 parlamentares votaram contra a perda do mandato. Zambelli foi condenada em maio por comandar a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após o julgamento, fugiu para a Itália — onde possui cidadania —, foi presa a pedido do governo brasileiro e agora aguarda o julgamento do pedido de extradição. A decisão da Câmara contraria entendimento do próprio STF, que determinou a perda automática do mandato pela ausência prolongada da deputada após a fuga. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), anunciou que recorrerá ao Supremo contra a decisão do Plenário. Segundo ele, a preservação do mandato afronta a determinação da Corte. Na mesma sessão, um acordo articulado de última hora evitou a cassação do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), acusado de quebra de decoro pela agressão a um militante do MBL dentro do plenário. Por 318 votos a 141, foi aprovada a suspensão de seu mandato por seis meses. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também notificou os deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), ambos nos Estados Unidos, sobre processos disciplinares que podem levar à cassação de seus mandatos. Eduardo já ultrapassou o limite de faltas permitido, enquanto Ramagem fugiu após ser condenado pelo STF por envolvimento na trama golpista de 8 de janeiro. Crise com a imprensa Paralelamente às votações, persistiu o silêncio de Hugo Motta diante da agressão sofrida por jornalistas na noite de terça-feira. Agentes da Polícia Legislativa retiraram à força profissionais que estavam no Plenário fazendo cobertura jornalística. Motta havia sinalizado que receberia representantes da imprensa para discutir o episódio, mas não cumpriu a promessa nem respondeu aos questionamentos enviados por veículos de comunicação. Segundo assessores, a Câmara prepara uma “nota de esclarecimento” após a conclusão de uma sindicância interna sobre o incidente.
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