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CompartilheCompartilhe 0 Apesar de o gasto público com alunos do ensino superior no Brasil estar alinhado com a média dos países da OCDE, o investimento na educação básica continua extremamente baixo em comparação às nações desenvolvidas. É o que revela o relatório Education at a Glance 2025, divulgado nesta terça-feira (10) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com dados compilados pelo Inep. De acordo com o levantamento, o Brasil investe cerca de US$ 15,6 mil por estudante no ensino superior, valor similar à média da própria OCDE e da União Europeia. No entanto, o contraste com os níveis iniciais de ensino é preocupante: o país gasta apenas US$ 3,8 mil por aluno da educação fundamental, o que representa menos de um terço da média dos países ricos, que é de US$ 12,4 mil. A disparidade coloca o Brasil atrás até mesmo de países latino-americanos como Chile e Costa Rica, que, apesar de contextos econômicos semelhantes, conseguem destinar mais recursos por aluno na educação básica. Especialistas alertam que esse desequilíbrio compromete o desenvolvimento educacional do país desde as primeiras etapas da aprendizagem. A subfinanciamento da base do sistema de ensino tende a acentuar desigualdades sociais e prejudica o desempenho de estudantes ao longo da vida escolar. “Investir fortemente apenas no ensino superior, sem garantir qualidade na formação básica, é como construir um prédio sobre alicerces frágeis. A equidade educacional começa no ensino infantil e fundamental”, avalia um dos técnicos do Inep envolvidos na análise dos dados. O relatório reacende o debate sobre a necessidade de reequilibrar os investimentos públicos em educação, especialmente em um cenário de desafios crescentes para alfabetização, evasão escolar e defasagem de aprendizagem no pós-pandemia. A OCDE recomenda que os países priorizem recursos nos primeiros anos de ensino, onde o retorno social e econômico tende a ser maior. Com os dados em mãos, a expectativa agora é que o governo federal e os estados revejam suas prioridades orçamentárias para garantir que mais crianças e jovens tenham acesso a uma educação básica de qualidade, condição essencial para o desenvolvimento sustentável do país.
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