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Após uma série de flagrantes de violência policial e crescente pressão sobre a política de segurança pública de São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) fez uma autocrítica pública, admitindo que errou ao criticar, enquanto ainda era candidato, o uso de câmeras corporais pelos policiais militares. “Eu admito, estava errado. Eu me enganei, e não tem nenhum problema eu chegar aqui e dizer para vocês que eu me enganei, que tinha uma visão equivocada sobre a importância das câmeras”, declarou o governador em uma entrevista, destacando que as câmeras são essenciais tanto para a proteção da sociedade quanto para a segurança jurídica dos policiais.

Tarcísio afirmou que, ao contrário do que pensava anteriormente, a tecnologia das câmeras corporais não deve ser substituída por modelos em que o policial precisa ativá-la manualmente. Segundo ele, a versão atualmente utilizada pela Polícia Militar de São Paulo, que realiza gravações ininterruptas sem necessidade de ação do policial, deve continuar em operação até que o governo estadual tenha certeza da eficácia dos novos modelos.

A mudança de postura do governador ocorre em meio a uma série de casos de violência policial que geraram críticas e protestos em todo o país. Entre os casos mais recentes, estão a prisão do soldado Luan Felipe Alves Pereira, acusado de jogar um homem de uma ponte, e a execução de Gabriel da Silva Soares, um jovem de 26 anos, executado pelo PM Vinícius de Lima Britto enquanto roubava pacotes de sabão. Ambos os casos foram registrados por câmeras de segurança, e o Tribunal de Justiça Militar de São Paulo manteve a prisão preventiva dos policiais envolvidos.

A pressão sobre a administração estadual também se intensificou com as declarações do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que afirmou que o governo federal pode intervir para estabelecer regras mais rigorosas para o uso da força pelas polícias. Lewandowski adiantou que o Ministério da Justiça está preparando um ato normativo sobre o “uso progressivo da força” em ações policiais, enfatizando que as armas letais devem ser o último recurso em qualquer abordagem.

Críticas e Reações

As reações à postura de Tarcísio foram intensas. A filósofa Djamila Ribeiro criticou a normalização da violência policial, afirmando que o Brasil tem sido marcado por chacinas e execuções sumárias em operações policiais. “Tudo revoltante e que, num país decente, levaria governador, secretário de Segurança e demais responsáveis para o banco dos réus”, disse Ribeiro.

O jornalista Josias de Souza também comentou a autocrítica do governador, chamando-a de tardia e cenográfica. Para ele, a mudança de postura foi impulsionada pela pressão social e política, e não por uma mudança genuína na política de segurança pública de São Paulo.

A comentarista Flávia Oliveira ressaltou a importância de frear a brutalidade policial em São Paulo, alertando que, caso a violência continue sem controle, outros estados podem seguir o exemplo da capital paulista, levando o país a um ciclo de sangue, luto e abuso.

A situação expõe o dilema em torno das políticas de segurança pública, especialmente em um cenário em que as forças de segurança têm sido frequentemente acusadas de excessos e abuso de poder. O debate sobre a regulamentação do uso da força e a necessidade de maior transparência nas ações policiais segue em pauta, com implicações significativas para o futuro das políticas de segurança no Brasil.

 

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