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Militante histórico do movimento negro, Kleber Rosa classificou como racista e profundamente ofensiva a declaração de Ronaldo Caiado de que os baianos se sentiriam “alforriados” caso ele fosse eleito presidente e ACM Neto governador. Cientista social, professor e dirigente sindical, o pré-candidato a deputado estadual pelo PSOL tem sua trajetória política ligada ao combate ao racismo, às desigualdades e à exclusão da população negra dos espaços de poder.

Para Kleber, a palavra escolhida por Caiado revela uma mentalidade política que ainda enxerga a Bahia como território a ser dominado. Alforria era a liberdade concedida pelo senhor à pessoa escravizada, e não uma expressão neutra para alternância de governo. Ao empregar esse vocabulário, Caiado se apresenta como libertador de uma população majoritariamente negra, como se os baianos dependessem de sua autorização para serem livres.

A fala é ainda mais grave porque parte de um integrante de uma das mais antigas oligarquias rurais de Goiás. Antepassados de Ronaldo Caiado foram grandes proprietários de terra e mantiveram pessoas escravizadas em suas fazendas. Antônio José Caiado somente concedeu liberdade aos escravizados de suas propriedades em 1887, às vésperas da abolição oficial.

A história política do clã também aparece no conflito que levou à Chacina do Duro, na atual Dianópolis, em 1919. A intervenção comandada pelo juiz Celso Calmon, enviado à região por determinação do deputado Brasil Ramos Caiado, terminou com nove homens ligados à família Wolney mortos enquanto estavam presos sob a responsabilidade das forças estaduais.

Kleber Rosa afirmou que ACM Neto não pode se afastar politicamente do ataque. Foi o próprio Caiado quem associou o nome do ex-prefeito à promessa de “alforriar” a Bahia, transformando a expressão racista em propaganda da aliança entre os dois. Neto já declarou apoio ao ex-governador goiano na disputa presidencial, enquanto Caiado trabalha abertamente por sua candidatura ao Governo do Estado.

Na avaliação do dirigente do PSOL, a declaração expõe o conteúdo de uma aliança baseada na velha política das oligarquias, agora apresentada como novidade eleitoral. ACM Neto tenta construir uma imagem moderada, mas entrega seu palanque presidencial a um aliado que fala sobre o povo negro da Bahia com o vocabulário dos antigos senhores de escravizados.

Foto:Reprodução redes sociais

“É irônico um candidato que quer ser negro apoiar quem faz fala racista”, diz Professor Marinho

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