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A escalada de tensão no Oriente Médio ganhou um novo capítulo após declarações atribuídas ao novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, que afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado como “instrumento de pressão”. A mensagem foi divulgada pela televisão estatal iraniana, já que o paradeiro do líder segue desconhecido.

Na declaração, Khamenei advertiu que todas as bases militares dos Estados Unidos na região devem ser fechadas, sob risco de ataques. A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) também elevou o tom ao ameaçar colocar “fogo” em toda a infraestrutura de petróleo e gás do Oriente Médio caso instalações energéticas iranianas sejam alvo de novos ataques.

O Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de energia, já teria sido alvo de mísseis e drones iranianos contra navios de carga internacionais, ampliando o clima de insegurança na região.

Apesar do tom beligerante, autoridades iranianas adotaram posteriormente um discurso mais moderado. O embaixador do Irã na Organização das Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, afirmou que o país não pretende fechar o estreito, mas ressaltou que Teerã tem o direito de garantir a segurança da via marítima. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, declarou que navios continuam autorizados a cruzar a rota, desde que mantenham coordenação com a Marinha iraniana.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o “caminho único” para a paz depende de três condições: reconhecimento dos “direitos legítimos” do Irã, pagamento de reparações por danos causados por ataques dos Estados Unidos e de Israel, e garantias internacionais para evitar novas agressões.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump comentou a crise durante um evento na Casa Branca, afirmando que as operações militares americanas estão indo “muito bem”. Trump também lamentou o ataque contra a sinagoga Temple Israel, na região de Detroit, onde um homem avançou com um carro contra o prédio do templo, entrou armado e abriu fogo antes de morrer após troca de tiros com seguranças.

Petróleo dispara

A possibilidade de interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz provocou forte reação nos mercados internacionais. O barril do petróleo do tipo Brent crude oil disparou mais de 9% e encerrou o dia acima de US$ 100, ultrapassando a marca de três dígitos pela primeira vez desde agosto de 2022. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiu 9,7%, fechando a US$ 95,73.

Diante da alta nos preços da energia, o governo Trump autorizou temporariamente que alguns países voltem a comprar petróleo da Rússia, numa tentativa de aliviar a pressão sobre o mercado internacional.

Reação no Brasil

No Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote de medidas para tentar conter a alta do diesel. O plano prevê zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível e conceder uma subvenção a produtores e importadores, com objetivo de reduzir o preço em cerca de R$ 0,64 por litro.

Para compensar o impacto fiscal da medida, estimado em aproximadamente R$ 30 bilhões, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, instituiu um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto.

A decisão foi tomada após o governo receber alertas sobre o risco de paralisações de caminhoneiros diante da escalada do preço dos combustíveis. Embora entidades da categoria neguem a convocação de greve, há preocupação no Palácio do Planalto com possíveis práticas de preços abusivos e com o impacto político da crise em ano eleitoral.

Setor reage com ceticismo

Representantes do setor de combustíveis avaliaram o pacote com cautela e classificaram o desconto previsto como insuficiente. Segundo agentes do mercado, a defasagem entre o preço do diesel vendido pela Petrobras e a cotação internacional já ultrapassa R$ 1,60 por litro.

Importadores alertam que o subsídio federal não cobre integralmente os custos das empresas privadas, o que poderia comprometer o abastecimento nacional. Atualmente, o Brasil importa cerca de 25% do diesel que consome.

Lideranças de caminhoneiros também defendem a participação dos governadores nas negociações para reduzir o peso do ICMS estadual, que representa cerca de R$ 1,17 no preço final do combustível.

Analistas avaliam que o movimento do governo tem forte componente político. A jornalista Lu Aiko Otta lembrou que medidas semelhantes já foram adotadas em crises anteriores, como em 2018, quando o então presidente Michel Temer zerou o PIS/Cofins sobre o diesel durante a greve dos caminhoneiros, e em 2021, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro tomou iniciativa semelhante diante da alta dos combustíveis.

Para o economista Celso Ming, a principal motivação do pacote atual também é eleitoral. Segundo ele, o risco é que a intervenção não produza os efeitos esperados sobre os preços e tampouco gere ganhos políticos para o governo.

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