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Comissão deve investigar estrutura e expansão de facções, mas expectativa é de embates políticos intensos no Congresso

O Senado Federal instala, nesta terça-feira (4), a CPI do Crime Organizado, criada após a operação policial no Rio de Janeiro que deixou mais de 120 mortos na última semana. A comissão terá como missão oficial mapear a estrutura e o avanço de facções criminosas e milícias em todo o país — com foco em grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

A sessão de abertura será conduzida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), o mais antigo entre os membros indicados. Já o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento que deu origem à CPI, deve assumir a relatoria, em acordo informal construído entre as lideranças partidárias. O colegiado contará com 11 senadores titulares e 11 suplentes, e terá prazo inicial de 120 dias para concluir os trabalhos.

Governo teme desgaste político

Nos bastidores, o Palácio do Planalto avalia que a CPI pode trazer desgaste maior ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que outras comissões em andamento, como a CPMI sobre irregularidades nos descontos de aposentados e pensionistas do INSS.

A preocupação é que a oposição transforme o tema da segurança pública em uma de suas principais bandeiras políticas até as eleições de 2026. Integrantes do PT admitem reservadamente que, caso o debate público se concentre nessa pauta, o governo pode perder espaço na narrativa nacional, já que o tema tradicionalmente favorece candidatos de direita.

Resposta do Rio de Janeiro ao STF

Paralelamente à instalação da CPI, o governo do Rio de Janeiro encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a resposta oficial sobre a megaoperação realizada na capital fluminense. No documento, a gestão do governador Cláudio Castro (PL) defende que o “nível de força” empregado pelas forças de segurança foi “compatível com as ameaças enfrentadas” durante a ação.

O ministro Alexandre de Moraes, relator da ADPF das Favelas, esteve no Rio nesta segunda-feira (3), onde se reuniu pessoalmente com o governador para tratar do tema. A visita reforça o acompanhamento próximo do Supremo sobre as operações policiais de grande porte e suas consequências em áreas de alta vulnerabilidade social.

CPI promete embates e exposição pública

Com forte apelo midiático e tema sensível à opinião pública, a CPI do Crime Organizado deve se tornar um dos principais palcos de disputa política no Senado nos próximos meses. Além de investigar o modus operandi das facções e suas fontes de financiamento, a comissão promete expor divergências entre governo e oposição sobre os rumos da política de segurança pública no país.

A expectativa é de que as primeiras reuniões deliberativas ocorram ainda nesta semana, definindo o cronograma de depoimentos e diligências.

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