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Iniciativa reúne aliados de direita em torno da pauta da segurança pública, em meio a críticas ao governo Lula e à PEC da Segurança; Planalto acompanha movimento com preocupação.

Dois dias após a operação policial mais letal da história do Brasil, que deixou mais de 100 mortos no Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro (PL) anunciou nesta sexta-feira (1º) a criação do “Consórcio da Paz”, uma aliança entre os governadores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste para integrar ações de combate ao crime organizado.

O anúncio foi feito no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, e contou com a presença de Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO), Jorginho Mello (PL-SC), Eduardo Riedel (PP-MS) e da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou por vídeo, enquanto Ratinho Jr. (PSD-PR) não compareceu, alegando compromissos de agenda.

De acordo com Castro, o consórcio terá sede no Rio de Janeiro e funcionará com compartilhamento de inteligência, equipamentos e efetivos entre os estados. O governador classificou a iniciativa como uma defesa da autonomia dos estados, afirmando que “a segurança pública não pode ser refém de Brasília”.

“Estamos unindo forças para combater o crime organizado de forma integrada, com troca de informações e estrutura. Cada estado tem sua realidade, mas o problema da violência é nacional”, disse Castro.


Governadores criticam governo federal e PEC da Segurança

O encontro teve tom político e foi marcado por críticas ao governo Lula (PT) e à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, defendida pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Governadores aliados classificaram a proposta como uma tentativa da União de centralizar competências estaduais sobre as forças de segurança.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, relacionou o avanço do crime organizado no Rio à ADPF das Favelas, decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringiu operações policiais durante a pandemia.

“A decisão do STF tirou das polícias o poder de agir nas comunidades, e o resultado foi o fortalecimento das facções”, afirmou.

Caiado e Zema defenderam uma “atuação mais dura e independente” dos estados na repressão às organizações criminosas.


PEC da Segurança avança na Câmara

Apesar da mobilização dos governadores, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a PEC da Segurança Pública deve ser votada na comissão especial no início de dezembro. Segundo ele, o relator, Mendonça Filho (União Brasil-PE), apresentará uma nova versão do texto na segunda quinzena de novembro.

A proposta, aprovada na CCJ em julho, é considerada uma das prioridades do governo Lula e busca criar um sistema nacional de segurança pública, com maior coordenação da União sobre as forças estaduais.

Desde que foi elaborada, há mais de 18 meses, a PEC enfrentou resistências políticas e divergências dentro do próprio governo, mas segue sendo defendida como instrumento de integração e controle institucional sobre as polícias.


Repercussões políticas

A analista política Roseann Kennedy avaliou que o movimento dos governadores reposiciona a direita em torno da pauta da segurança pública e representa um desafio para o Planalto.

“A união dos governadores na pauta da segurança pública deu fôlego à direita e é motivo de preocupação para o Planalto. A operação policial no Rio reorganiza o grupo político para 2026 e consegue tirar o foco de Jair Bolsonaro”, afirmou.

Com o Consórcio da Paz, Castro e aliados buscam ocupar o vácuo deixado pela ausência de uma liderança unificadora no campo conservador, transformando a segurança pública em bandeira política e eleitoral para os próximos anos.

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