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CompartilheCompartilhe 0 Enquanto a maioria dos observadores vão olhar para o céu em 8 de abril para contemplar o eclipse solar total, devidamente protegidos, pessoas com deficiência visual (total ou parcial) também poderão participar do evento. Como? Ouvindo e sentindo o eclipse. Isso será possível por meio de dispositivos de som e toque, que estarão disponíveis em reuniões públicas na data do eclipse, informa a ABC. “Eclipses são coisas muito bonitas e todos devem ser capazes de experimentá-lo uma vez na vida”, disse Yuki Hatch, estudante do ensino médio em Austin, Texas (EUA). Hatch tem deficiência visual e é entusiasta do Espaço. Ele espera, um dia, se tornar cientista da computação da NASA. “Estou ansiosa para poder ouvir o eclipse em vez de vê-lo”, disse a estudante. Em 8 de abril, ela e seus colegas da Escola para Cegos e Deficientes Visuais do Texas sentarão no gramado da instituição e ouvirão pequeno dispositivo denominado LightSound, caixa responsável por traduzir a mudança da luz em sons. Exemplos de LightSounds (Imagem: The LightSound Project) Como deficientes visuais vão sentir e ouvir o eclipse Quando o Sol brilhar, eles ouvirão notas de flauta altas e delicadas; Conforme a Lua cobrir o Sol, notas de médio alcance de um clarinete serão emanadas; Por fim, a escuridão total será renderizada por meio de som de clique baixo; O LightSound é resultado de colaboração entre Wanda Díaz-Merced, astrônoma com deficiência visual total, e Allyson Bieryla, astrônomo de Harvard; Díaz-Merced traduz regularmente seus dados em áudio para analisar padrões; Um protótipo do equipamento já foi utilizado no eclipse total de 2017 de cruzou os EUA; enquanto sua versão portátil já foi usada em eventos similares. Para o eclipse de 8 de abril, a dupla trabalha com outras instituições para distribuir, ao menos, 750 LightSounds em locais que possuam eclipses no México, EUA e Canadá. Foram realizadas oficinas em universidades e museus para a construção dos dispositivos e fornecimento de informações faça-você-mesmo no site da equipe. O céu é de todos. E, se este evento está disponível para o resto do mundo, tem que estar disponível para os cegos também. Quero que os alunos possam ouvir o eclipse, ouvir as estrelas. Wanda Díaz-Merced, astrônoma, em entrevista à ABC A Biblioteca Perkins, associada à Escola Perkins para Cegos em Watertown, Massachusetts (EUA), vai transmitir as mudanças de tons realizadas pelo LightSound online e por telefone, via Zoom, para seus membros ouvirem, de acordo com a gerente divulgação do espaço, Erin Fragola. Ela informou que não são só os alunos que têm deficiência visual; muitos dos frequentadores da Biblioteca têm perda de visão ocasionada pela idade. “Tentamos encontrar maneiras de tornar as coisas mais acessíveis para todos”, afrmou. Uma das várias configurações do tablet Cadence (Imagem: Tactile Engineering) Pelo som e pelo tato Mas não é só a LightSound que vai oferecer aos deficientes visuais um gostinho especial do eclipse de 8 de abril. A Tactile Engineering, de Indiana (EUA), desenvolveu um tablet, chamado Cadence, que tem o tamanho de um celular e possui fileiras de pontos que aparecem para cima e para baixo. Dessa forma, ele pode ser usado para ler Braile, sentir gráficos e vídeos e até jogar. Já para esse eclipse, “um aluno pode colocar a mão sobre o dispositivo e sentir a Lua se mover lentamente sobre o Sol”, disse Wunji Lau, da Tactile Engineering. A Escola Indiana para Cegos e Deficientes Visuais começou, ainda em 2023, a incorporar o tablet em seu currículo escolar. Alguns dos alunos, inclusive, o experimentaram durante o eclipse do “anel de fogo”, ocorrido em outubro. A aluna Sophomore Jazmine Nelson está ansiosa para se juntar à multidão que deverá comparecer ao grande evento de observação de eclipses da NASA, no Indianopolis Motor Speedway, onde o tablet será disponibilizado. Com ele, “você pode se sentir parte de algo”, pontuou. Já sua colega de classe, Minerva Pineda-Allen, disse que “esta é uma oportunidade muito rara; posso não tê-la de novo”.
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