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Um vídeo aparentemente banal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caminhando de sunga na praia acabou ganhando contornos políticos e se transformou em argumento simbólico no debate público. A gravação, amplamente compartilhada nas redes sociais, passou a ser utilizada como prova de vigor físico, aptidão e capacidade de liderança em um cenário político marcado pela crescente desconfiança em relação a líderes muito idosos.

A análise é tema do Meio Político desta semana, conteúdo exclusivo para assinantes premium, no qual o cientista político Wilson Gomes examina como o corpo do presidente foi convertido em instrumento retórico na disputa de narrativas. Segundo ele, a política contemporânea revela, cada vez mais, que a batalha pelo poder não se limita a ideias, programas ou discursos, mas também se trava no terreno simbólico dos corpos.

Entre a celebração entusiasmada de apoiadores, exageros impulsionados pelo uso de inteligência artificial e comparações com o chamado “efeito Biden”, o episódio expõe como imagens pessoais podem ser ressignificadas e ganhar peso estratégico. O vídeo de Lula passou a funcionar como contraponto visual a discursos que associam idade avançada à fragilidade, reforçando uma mensagem de energia e controle.

O caso evidencia ainda como, na era digital, fronteiras entre vida privada, comunicação política e propaganda se tornam cada vez mais difusas. Um registro cotidiano, sem pretensão política explícita, pode rapidamente se converter em peça central de disputas simbólicas, amplificadas por algoritmos e pela militância digital.

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