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O relator do caso Banco Master no Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Jhonatan de Jesus, decidiu suspender a inspeção que havia determinado no Banco Central (BC) até que o plenário da Corte se manifeste sobre o tema. Em despacho, o ministro afirmou que o assunto ganhou uma “dimensão pública desproporcional” para uma medida que classificou como corriqueira e avaliou que a análise colegiada é necessária para “estabilizar institucionalmente” a questão.

A decisão ocorre em meio a críticas internas dentro do próprio TCU e a um crescente desconforto no governo federal com a ofensiva concentrada sobre o Banco Central, órgão responsável por identificar fraudes no Banco Master e decretar sua liquidação. O clima de tensão chegou ao Palácio do Planalto, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria ligado diretamente para o presidente do TCU, Vital do Rêgo, na tentativa de conter a crise gerada pela inspeção.

Paralelamente, a Polícia Federal avançou nas investigações envolvendo o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. De acordo com a PF, mensagens encontradas no celular do empresário indicam que ele teria ordenado a contratação de influenciadores digitais para promover informações positivas sobre o banco e atacar virtualmente autoridades e pessoas públicas que, em sua avaliação, estariam atuando contra a instituição financeira e o processo de liquidação conduzido pelo BC.

Entre os nomes citados nas apurações está Thiago Miranda, administrador de empresas ligado ao jornalista Leo Dias. Mensagens obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo apontam que André Silva Salvador, da agência UNLTD, oferecia contratos para publicações questionando a liquidação do Banco Master e mencionava parceria com Miranda. Os acordos previam cláusulas de confidencialidade com multa de até R$ 800 mil, e os pagamentos poderiam chegar a R$ 2 milhões.

No Congresso, o caso também gera reflexos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), deve segurar a votação da indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Alcolumbre nega ser padrinho político de Lobo e afirma que essa informação teria sido disseminada pelo Planalto. No entanto, fontes do governo e do mercado financeiro ouvidas pela Folha de S. Paulo apontam que a indicação teria sido articulada por um consórcio formado por parlamentares próximos a Daniel Vorcaro e ao empresário Wesley Batista, do grupo J&F.

A suspensão da inspeção pelo relator do TCU ocorre, portanto, em um contexto de forte embate institucional, investigações criminais em curso e disputas políticas que extrapolam o caso do Banco Master, ampliando a pressão sobre órgãos de controle, o sistema financeiro e o governo federal.

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